Venezuela e Colômbia: depois das imagens da destruição, começa o tempo silencioso da reconstrução

Os terremotos de grande magnitude ocorridos na Venezuela (em junho de 2026) e na Colômbia (em agosto de 2026) causaram uma grave crise humanitária na América do Sul, com um número expressivo de fatalidades e feridos, e neste contexto de dor e destruição, a Igreja continua a levar ajuda e esperança às comunidades atingidas.

Vatican News com Agência Fides

O impacto do terremoto na Venezuela em 24 de junho foi devastador, impulsionado pelo fato de o sisma ter ocorrido a uma profundidade rasa (cerca de 10 km), atingindo fortemente a região de La Guaira. Os mortos são mais de 6.300 e os feridos 16.700 pessoas, isso sem falar no número de desaparecidos.

Já na Colômbia, o terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste do país em 10 de agosto, com epicentro em San José del Palmar. Embora tenha tido uma magnitude semelhante ao da Venezuela, o impacto foi ligeiramente atenuado por sua profundidade intermediária de 110 km. O número de mortos é de ao menos 331 – com cidades como Pereira, Manizales e Cali registrando o maior número de colapsos estruturais; os feridos são mais de 3.900, e 379 pessoas continuavam listadas como desaparecidas pelas autoridades de gestão de riscos. No caso da Colômbia, o terremoto deixou 36.336 casas destruídas e 201.005 danificadas, com mais de 460.000 pessoas afetadas em 16 departamentos e 494 municípios, segundo o último levantamento das autoridades.

Fase longa e silenciosa do pós-terremoto

 

E logo que as primeiras imagens da destruição desaparecem dos holofotes dos meios de comunicação, para as comunidades atingidas por um terremoto começa uma fase longa e silenciosa: viver em abrigos, enfrentar a perda de entes queridos, cuidar dos feridos e tentar reencontrar a esperança.

Enquanto, na Colômbia, a rede de fraternidade eclesial continua acompanhando as comunidades atingidas pelo terremoto que, em 10 de agosto, afetou o departamento de Chocó, na Venezuela, mais de dois meses depois dos tremores de 24 de junho, a presença da Igreja permanece ao lado daqueles que ainda sofrem suas consequências.

A esse compromisso se uniram as Servas do Focolare da Mãe, quatro religiosas espanholas que, depois de entrarem em contato com o Núncio Apostólico, Alberto Ortega Martín, e com o arcebispo de Caracas, Raúl Biord Castillo, viajaram neste verão à Venezuela para oferecer acompanhamento espiritual às pessoas atingidas.

A missão, conduzida pela irmã Paqui Morales, levou as religiosas a hospitais, abrigos e comunidades de La Guaira. “Há uma grande necessidade de Deus”, constatou a religiosa ao encontrar as pessoas atingidas pela tragédia.

Nos hospitais, elas puderam “ajudar a levar a Comunhão aos doentes, rezar com eles e consolá-los, transmitindo paz e esperança”, conta a irmã Paqui.

Em La Guaira, uma das áreas mais atingidas pelo terremoto, as religiosas organizaram uma missão eucarística, visitando os abrigos e convidando as pessoas a participar da celebração da Santa Missa e de uma Hora Santa. Uma dessas celebrações foi realizada entre os escombros da cidade, oferecendo aos que perderam suas casas e àqueles que continuam vivendo nos abrigos a possibilidade de permanecer diante de Jesus presente na Eucaristia.

Com a emergência ainda em andamento, as necessidades continuam sendo numerosas. As religiosas, porém, destacam a resposta da Igreja local. “Temos orgulho do clero e dos religiosos venezuelanos, que estão se dedicando sem reservas a todos”, afirma a irmã Paqui.

Nas paróquias, foram arrecadados e distribuídos alimentos, roupas, produtos de higiene e medicamentos, enquanto sacerdotes e religiosos levam os sacramentos aos doentes, escutam e consolam aqueles que sofrem. As ajudas materiais são entregues às autoridades civis, responsáveis por sua distribuição nos abrigos.

Na Colômbia, a ajuda continua sendo coordenada por meio da Cáritas, das dioceses e das paróquias, com especial atenção às áreas rurais e de difícil acesso. No final de agosto, a Conferência Episcopal anunciou que também a coleta nacional “Dona Nobis 2026” destinará recursos às dioceses atingidas pelo terremoto, no âmbito da iniciativa “Con Colombia, hasta el último rincón” (“Com a Colômbia, até o último recanto”).

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