Trump celebra guinada à direita na América do Sul e destaca relação com o Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acenar positivamente para a América do Sul ao destacar a guinada conservadora na região e classificar como positiva a atual relação com o Brasil. Durante conversa com jornalistas na Casa Branca nesta quarta-feira (2), o republicano celebrou a ascensão de aliados políticos no continente e afirmou que o cenário geopolítico do hemisfério mudou drasticamente nos últimos anos.

“Essa parte do nosso hemisfério está se mostrando muito diferente do que era. Eles deixaram de ser de esquerda e estão indo para a direita. Todos estão indo para a direita”, declarou Trump. O norte-americano sustentou ainda que a posição dos EUA na região se fortaleceu: “Temos um bom relacionamento com o Brasil, um bom relacionamento, na verdade, com quase todos eles agora. Eles têm muito respeito pelo nosso país.”

Questionado sobre a possibilidade de instalar bases militares no continente, o presidente optou por direcionar a resposta ao panorama eleitoral recente. Ele citou a Argentina — referência indireta a Javier Milei — e comemorou a vitória de Abelardo de la Espriella, o “El Tigre”, na Colômbia, ressaltando o apoio que concedeu a candidatos alinhados às suas pautas.

Articulação nos bastidores de Brasília

No tocante ao Brasil, Trump evitou citar nomes do cenário político nacional, mantendo o tom institucional ao falar da diplomacia entre os dois países. O aceno ocorre em um momento de intensa movimentação nos bastidores do Palácio do Planalto. O governo brasileiro tem buscado manter canal direto com a Casa Branca para mitigar riscos de ingerência política no cenário eleitoral do país e blindar a relação bilateral de setores mais alinhados ao bolsonarismo no primeiro escalão de Washington.

A aproximação direta também busca destravar a pauta econômica. Após a recente aplicação de tarifas sobretaxadas em até 37,5% sobre produtos brasileiros, os dois governos retomaram as negociações comerciais. A agenda em Washington também contou com a presença de lideranças do empresariado brasileiro, como André Esteves (BTG Pactual) e Joesley Batista (J&F), em reuniões focadas em relações bilaterais e tarifas do setor produtivo.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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