O consórcio responsável pelo projecto Mozambique LNG pretende instalar, no distrito de Palma, em Cabo Delgado, uma unidade industrial com capacidade para produzir cerca de 5000 toneladas de biodiesel de coco por ano, destinado ao abastecimento das operações de gás natural liquefeito.
A iniciativa integra a estratégia de descarbonização da TotalEnergies EP Mozambique Area 1 (TEPMA1), operadora do Mozambique LNG, e prevê a criação de uma cadeia local de produção de biocombustível de baixo carbono a partir de coco fornecido por agricultores da região, segundo documentação do concurso recentemente publicada.
Para avançar com o projecto, a TEPMA1 lançou uma manifestação de interesse destinada à selecção de empresas, investidores ou consórcios que deverão financiar, conceber, construir, deter e operar a unidade industrial através do modelo “Finance-Build-Own-Operate”.
A futura infra-estrutura deverá ter capacidade nominal para produzir aproximadamente 5000 toneladas anuais de biodiesel B100 e incluir unidades de extracção e refinação de óleo vegetal, centros de recolha de matéria-prima e uma rede de agregadores locais. O Mozambique LNG deverá funcionar como comprador âncora da produção, através de um contrato de aquisição de longo prazo, mecanismo que visa garantir a viabilidade comercial da iniciativa e a sustentabilidade da cadeia de valor do coco.
A produção será alimentada por matéria-prima adquirida junto de pequenos agricultores de Palma, integrados numa estratégia mais ampla de desenvolvimento agrícola promovida pela TotalEnergies na região. De acordo com a empresa, o programa inclui a criação de viveiros, assistência técnica a mais de 3000 agricultores e a plantação de mais de 440 000 mudas de coqueiro.
A estratégia deverá permitir aumentar a disponibilidade de matéria-prima para a produção de biodiesel e, simultaneamente, criar novas fontes de rendimento para as comunidades locais. Além da componente ambiental, o projecto pretende estimular a criação de emprego e de novas actividades económicas associadas à produção, transformação e comercialização de derivados do coco.
O biodiesel produzido deverá ser utilizado nas operações do Mozambique LNG como alternativa de menor intensidade carbónica aos combustíveis convencionais. O projecto, desenvolvido na Área 1 da bacia do Rovuma, retomou oficialmente as actividades em Janeiro de 2026, após quase quatro anos de suspensão devido à insegurança provocada pelos ataques armados em Cabo Delgado.
Segundo a TotalEnergies, o empreendimento encontra-se actualmente próximo de 50% de execução e mobiliza entre 7000 e 8000 trabalhadores no estaleiro de Afungi. Na apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026, o presidente executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, indicou que o projecto continua a avançar com o objectivo de iniciar a produção de gás natural liquefeito em 2029.
Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, o Mozambique LNG deverá ter capacidade para produzir até 13 milhões de toneladas de GNL por ano quando entrar em operação. O projecto integra o conjunto de grandes investimentos destinados à exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma.
Moçambique conta actualmente com três grandes projectos aprovados para a exploração destas reservas. O Coral Sul FLNG, liderado pela italiana Eni, produz desde 2022, enquanto o Coral Norte, aprovado em 2025, deverá aumentar a capacidade de liquefacção da Área 4 a partir de 2028. O Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, prevê, por sua vez, uma capacidade de produção de cerca de 18 milhões de toneladas anuais de GNL após 2030.
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