O vice-presidente executivo da DP World Américas, Morten Johansen, explica o peso estratégico do Callao no negócio regional e adverte que a expansão do Cais Sul “não funcionará” sem a construção do anteporto.
Qual a relevância do continente americano dentro do negócio global da DP World?
As Américas são provavelmente a segunda [operação] maior da DP World atualmente. Representa pouco mais de 10% da capacidade total da empresa a nível global.
Onde observam as principais oportunidades de crescimento na região?
Estamos vendo muitas tendências de onshoring e nearshoring, com manufatura que está retornando ou se aproximando dos Estados Unidos. É a oportunidade para a América Latina desempenhar um papel mais importante no comércio global.
Que posição o Peru ocupa hoje dentro dessa estratégia regional?
Investimos US$ 1 bilhão no Peru e queremos investir mais. O Peru é o nosso maior negócio nas Américas, tanto por desempenho quanto pelo volume que movimentamos através do porto. Este ano superaremos os 2 milhões de TEU no Callao, um recorde para a DP World nesta região.
Quanto mais a operação peruana poderia crescer se a concessão for estendida?
Temos um novo projeto [de adendo] no qual estamos trabalhando. Buscamos expandir e, basicamente, duplicar a capacidade portuária que temos atualmente. É um projeto com um investimento adicional de mais de US$ 1 bilhão. Mas não funcionará se a infraestrutura terrestre que o suporta (o anteporto do Callao) não for capaz de lidar com esse volume.
US$ 250 milhões desse investimento serão para construir o anteporto do Callao, uma infraestrutura que a APM Terminals também projeta desenvolver. Poderiam construí-la juntos?
Qualquer mecanismo de coordenação entre atores privados poderá ser avaliado pela autoridade competente. O relevante é que essa avaliação considere que a proposta apresentada [pela DP World] já incorpora, desde o seu design, uma visão de alcance comum, orientada a atender os fluxos de ambos os operadores.
Como Chancay mudou o posicionamento do Peru no mapa portuário da América do Sul?
Creio que é positivo para o Peru. É outro ponto de entrada para o comércio. Sempre damos as boas-vindas à concorrência. Não temos medo da concorrência. E creio que Chancay desempenhará um papel no futuro, como já está fazendo hoje. Mas também creio firmemente na posição do Callao e em seu crescimento futuro.
DP World busca evoluir de operador portuário para uma companhia logística integrada.
Que porcentagem do crescimento futuro na região virá de serviços logísticos e serviços end-to-end?
É difícil atribuir uma porcentagem específica ao crescimento. Mas posso dizer que, durante o último ano e meio, abrimos provavelmente entre 25 e 30 escritórios focados exclusivamente em serviços logísticos. Já temos uma presença significativa na região, com operações na maioria dos países das Américas. Assim, evidentemente, estamos construindo sobre a presença que já temos e analisando onde podemos incorporar serviços logísticos de valor agregado daqui para frente.
No Peru, veem espaço para novos investimentos ou aquisições fora do Cais Sul do Callao?
Por enquanto, nosso foco está no plano diretor em que estamos trabalhando para duplicar a capacidade da DP World Callao, de modo que teremos capacidade suficiente para muitos anos à frente. Mas definitivamente continuaremos analisando como podemos desenvolver nossos serviços logísticos e serviços de valor agregado em Lima e no Peru.
Para isso, estão negociando atualmente algum novo investimento ou aquisição?
Não. Neste momento, já temos este projeto [de adendo] em mãos e primeiro precisamos completá-lo.
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