A abundância de energia renovável na América do Su também é prato cheio para Musk, que transformou a venda de eletricidade e de armazenamento em um dos pilares de sua empreitada. Em 2025, a divisão de energia da Tesla faturou US$ 12,8 bilhões – alta de 27% – com margem bruta de quase 30%, cerca do dobro da registrada pelos carros. Enquanto a receita automotiva caiu 10% no ano, a energia já responde por cerca de um quarto do lucro bruto da empresa.
É aqui que a aposta argentina ganha contorno, pois o país virou ímã para megaprojetos de inteligência artificial que dependem, justamente, do tipo de infraestrutura que a Tesla vende. O caso mais notável é o da Stargate Argentina, anunciado pela OpenAI em parceria com a Sur Energy.
É um data center de até 500 MW na Patagônia, com investimento estimado em até US$ 25 bilhões e localização cotada para Neuquén, perto da reserva de gás e petróleo de Vaca Muerta. Para uma rede elétrica que precisa estocar energia renovável e bancar o consumo voraz da IA, a oferta da Tesla cai como luva.
O trunfo escondido
Há ainda um ganho menos visível, e talvez o mais estratégico de todos: o acesso aos minerais críticos. Plantar bandeira no extremo sul aproxima a Tesla do Triângulo do Lítio – formado por Argentina, Chile e Bolívia, que juntos concentram cerca de metade das reservas mundiais do metal. A Argentina é o quarto maior produtor global, e a Tesla já compra lítio argentino do Salar del Hombre Muerto, por meio da mineradora Arcadium Lithium.
Estados Unidos e China disputam esse lítio, e a China domina hoje a etapa de refino – gargalo que a Tesla tenta contornar com a própria refinaria, recém-inaugurada no Texas. Para Washington, garantir minério fora da órbita chinesa é prioridade; para Musk, presença física na região, somada à sintonia com governos amistosos como o de Milei, pode render acesso mais estável à matéria-prima das baterias.
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