NUTRIÇÃO É ALIADA PARA ENVELHECER COM SAÚDE E AUTONOMIA

O aumento da expectativa de vida da população brasileira trouxe um novo desafio para a área da saúde: não basta viver mais, é preciso garantir que os anos adicionais sejam acompanhados de qualidade de vida. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a expectativa de vida no país está próxima dos 76 anos.

Apesar dos avanços na medicina e das melhores condições de vida, o envelhecimento também pode ser acompanhado por um período prolongado de doenças e limitações. Um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health, que avaliou informações de 204 países e territórios entre 1990 e 2023, colocou o Brasil na 16ª posição entre os países com maior número de anos vividos em condições inadequadas de saúde. A média brasileira é de 12,5 anos convivendo com doenças ou limitações funcionais.

Para o nutricionista Paulo Telles, da Clínica SiM, a prevenção ao longo da vida pode fazer diferença nesse cenário. Segundo o especialista, problemas de saúde que aparecem na idade adulta ou na velhice podem estar associados ao conjunto de hábitos mantidos durante muitos anos.

Alimentação e doenças crônicas

Diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas relacionados à mobilidade estão entre as condições que podem comprometer a qualidade do envelhecimento. Nesse contexto, a alimentação ocupa um papel importante na prevenção e no controle de fatores de risco.

O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, especialmente aqueles com excesso de açúcar, sódio e gorduras, pode contribuir para uma alimentação de baixa qualidade nutricional. Em contrapartida, uma rotina alimentar baseada em alimentos in natura ou minimamente processados fornece fibras, vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

Segundo Telles, a nutrição clínica pode contribuir para que o aumento da longevidade seja acompanhado pela preservação da vitalidade e da independência. O acompanhamento individualizado também permite identificar possíveis deficiências nutricionais e adequar a alimentação às necessidades de cada fase da vida.

Entre os pontos que merecem atenção está o consumo adequado de proteínas, especialmente diante da perda natural de massa muscular associada ao envelhecimento. A manutenção da musculatura é importante para a força, o equilíbrio e a capacidade de realizar atividades cotidianas.

A saúde intestinal também deve ser considerada, assim como a ingestão adequada de nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo.

Prevenção começa antes da velhice

A construção de um envelhecimento saudável não depende de mudanças feitas apenas na terceira idade. Quanto mais cedo hábitos equilibrados são incorporados à rotina, maiores são as oportunidades de preservar a saúde ao longo dos anos.

Além da alimentação, a prática regular de atividade física e a qualidade do sono são considerados componentes importantes de um estilo de vida saudável. A combinação desses fatores pode ajudar na manutenção da capacidade funcional e da autonomia.

Para o especialista, a estratégia deve priorizar mudanças possíveis de serem mantidas a longo prazo, em vez de dietas extremamente restritivas ou medidas difíceis de incorporar à rotina.

Com o crescimento da população idosa, a discussão sobre longevidade passa, cada vez mais, pela necessidade de ampliar não apenas os anos de vida, mas também o período vivido com independência, disposição e bem-estar. Nesse cenário, a alimentação equilibrada se apresenta como uma das ferramentas de prevenção que podem ser adotadas ao longo de toda a vida.

Foto: Divulgação

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