A 2ª cidade mais sustentável do Centro-Oeste guarda o marco do centro exato da América do Sul e um parque de 77 hectares em plena área urbana – Brasil 247
A maioria das capitais brasileiras nasceu de um porto, de uma baía ou de uma decisão administrativa. Cuiabá nasceu do ouro achado a céu aberto nas margens de um córrego, em 1719, e terminou fincada no ponto que o Marechal Cândido Rondon calculou como o coração geográfico do continente sul-americano. Dois séculos depois, a capital de Mato Grosso aparece entre as mais bem avaliadas do Centro-Oeste em indicadores de qualidade de vida urbana, com cerrado preservado dentro da cidade e o Pantanal a poucas horas de estrada.
Por que o marco do centro da América do Sul fica em Cuiabá?
Porque foi ali que a Comissão Rondon cravou o cálculo, em 1909. O marco original, erguido em alvenaria no antigo Campo d’Ourique, registra as coordenadas 15°35’56” de latitude sul e 56°06’05” de longitude oeste, praticamente à mesma distância dos oceanos Atlântico e Pacífico.
O local hoje é a Praça Pascoal Moreira Cabral, no centro da capital, onde um obelisco construído na década de 1970 protege a estrutura antiga em seu interior. Segundo a Prefeitura de Cuiabá, o conjunto foi tombado como patrimônio histórico e cultural em 2009 pela Secretaria de Estado de Cultura. O símbolo é tão central para a identidade local que ocupa o miolo da bandeira municipal.
O que colocou a capital mato-grossense entre as mais sustentáveis da região?
A avaliação de 43 indicadores de gestão urbana alinhados a uma norma internacional. Cuiabá ficou em segundo lugar no Centro-Oeste no Ranking de Cidades Sustentáveis 2026, elaborado pela plataforma Bright Cities com base na ISO 37120, padrão que mede serviços urbanos e qualidade de vida.
Foram analisadas 338 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, distribuídas em cinco pilares: prosperidade, gestão, bem-estar, segurança e infraestrutura. Conforme a Prefeitura de Cuiabá, a capital ficou atrás apenas de Brasília no recorte regional e à frente de Goiânia, Catalão e Rio Verde, um resultado incomum para uma cidade que dobrou de tamanho no rastro da expansão do agronegócio.
Onde o verde resiste dentro da cidade e nos arredores
O apelido de Cidade Verde vem dos quintais de mangueiras e cajueiros que sombreavam a capital no início do século passado, conforme relata a Prefeitura de Cuiabá. Parte desse cenário sobreviveu em parques, praças e no traçado colonial. Confira abaixo os pontos que melhor traduzem essa mistura:
- Parque Estadual Mãe Bonifácia: 77,16 hectares de cerrado dentro da malha urbana, criados pelo Decreto Estadual nº 1.470, com cinco trilhas e cerca de 80 espécies nativas catalogadas.
- Centro Histórico: conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1993, com casarões e sobrados preservados.
- Ruas de Baixo, do Meio e de Cima: as vias mais antigas da cidade, hoje chamadas Galdino Pimentel, Ricardo Franco e Pedro Celestino, mantêm o arruamento da antiga Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.
- Obelisco do Centro Geodésico: monumento urbano e acessível, no meio do centro, onde turistas registram a passagem pelo ponto central do continente.
- Parque Nacional da Chapada dos Guimarães: a 50 km da capital pela MT-251, recebeu mais de 180 mil visitantes em 2019, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A chegada é simples: o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, fica colado na capital e a 64 km do parque nacional. Mato Grosso reúne Amazônia, Cerrado e Pantanal em seu território, conforme mapeamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT), e a planície pantaneira ainda carrega o título de Patrimônio Natural Mundial concedido pela UNESCO em 2000.
O vídeo do canal Viajantes de Estação em Estação • S2Station, com 54 mil visualizações, apresenta um guia com 15 pontos turísticos para conhecer em Cuiabá, capital do Mato Grosso.
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Como é o clima de Cuiabá ao longo do ano?
A capital combina calor constante com uma divisão nítida entre período chuvoso e período seco. Nos meses de estiagem a umidade despenca e a chuva praticamente some: em agosto, a média histórica registrada pelo Climatempo é de apenas 11 mm. Confira abaixo o comportamento aproximado ao longo do ano:
Valores aproximados. As condições mudam a cada temporada por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
O centro do continente cabe em uma capital verde
Cuiabá reúne uma combinação difícil de repetir: um marco geodésico no meio da praça, ruas coloniais protegidas por tombamento federal, cerrado preservado a poucos minutos do centro e três biomas ao alcance de uma viagem curta. O calor é parte do pacote, e os cuiabanos aprenderam a conviver com ele à sombra das mangueiras.
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