Redes sociais fazem um em cada quatro portugueses sentir-se mal com o seu estilo de vida, revela estudo

Quase um em cada quatro consumidores portugueses admite que o conteúdo que vê nas redes sociais os faz sentir-se mal consigo próprios ou com o seu estilo de vida. A conclusão é da Intrum, com base no European Consumer Payment Report, e mostra o impacto crescente da comparação digital no bem-estar emocional e financeiro dos portugueses.

Segundo o estudo, 24% dos consumidores em Portugal reconhecem sentir-se negativamente afetados pelos conteúdos publicados nas redes sociais. A exposição constante a estilos de vida idealizados, consumos aspiracionais e rotinas aparentemente perfeitas está a alimentar sentimentos de inadequação, frustração e pressão financeira.

A Intrum assinala que esta realidade não afeta todos os consumidores da mesma forma. Os grupos financeiramente mais vulneráveis são os mais expostos a comportamentos de risco, nomeadamente compras por impulso e recurso ao crédito para tentar acompanhar padrões de vida promovidos por influenciadores.

De acordo com o relatório, os consumidores classificados como “Frágeis” são os mais propensos a fazer compras impulsivas e a contrair dívidas motivadas por conteúdos vistos nas redes sociais. O estudo indica ainda que adolescentes de famílias com menor rendimento são mais propensos a referir comportamentos aditivos na utilização destas plataformas.

O impacto também se faz sentir na saúde mental. Cerca de 38% dos consumidores portugueses financeiramente mais frágeis afirmam que os padrões de vida promovidos por influenciadores prejudicaram a sua saúde mental. Entre os consumidores classificados como “Resilientes”, essa percentagem desce para 19%.

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Os mais jovens surgem como um dos grupos mais afetados. Cerca de um quinto da geração Z, 19%, afirma ter-se endividado na tentativa de replicar estilos de vida vistos nas redes sociais. Quase metade, 46%, reporta uma deterioração da saúde mental associada a essa pressão digital.

O estudo mostra ainda que 76% dos portugueses consideram que as redes sociais promovem expectativas financeiras pouco realistas, uma percentagem acima da média europeia, que se situa nos 70%.

Para a Intrum, a exposição permanente a padrões de consumo idealizados pode comprometer decisões financeiras equilibradas. A comparação com estilos de vida que muitas vezes não refletem a realidade pode levar a sentimentos de exclusão e a escolhas de consumo menos ponderadas.

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As redes sociais também têm impacto direto nos hábitos de compra. Em Portugal, 34% dos consumidores afirmam ter feito compras por impulso depois de verem publicidade nestas plataformas. Ainda assim, o valor representa uma descida face a 2024, quando esta percentagem era de 40%, sugerindo maior cautela nas decisões de compra online.

Outro dado relevante é que 14% dos consumidores portugueses dizem que a pressão criada por influenciadores os levou a contrair dívidas. A tendência levanta preocupações acrescidas num contexto em que soluções de pagamento diferido, como o “Compre Agora, Pague Depois”, ganham peso no consumo.

Em Portugal, 31% dos consumidores admitem sentir-se mais inclinados a comprar quando esta opção está disponível. A propensão é ligeiramente superior entre os homens, 32%, do que entre as mulheres, 30%.

A nível regional, o impacto desta modalidade é inferior à média nacional no Algarve, onde 24% dos consumidores dizem sentir-se mais inclinados a comprar com esta opção, e nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, onde o valor é de 25%.

Segundo Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, “a exposição constante a padrões de vida idealizados gera sentimentos de exclusão e frustração entre os consumidores, com reflexos na autoestima e no bem-estar financeiro”.

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“No Dia Mundial das Redes Sociais, é essencial reconhecer o impacto real do ambiente digital nas decisões de consumo, nos níveis de poupança e até na saúde mental”, acrescenta o responsável.

A Intrum defende que a literacia financeira e a consciência sobre os efeitos da comparação digital são cada vez mais importantes para evitar decisões impulsivas, endividamento desnecessário e pressão financeira associada a padrões de vida pouco realistas.

O European Consumer Payment Report é publicado anualmente pela Intrum desde 2013 e analisa os hábitos de consumo e a forma como os europeus gerem os seus orçamentos domésticos. A edição mais recente baseia-se num inquérito realizado em 20 países europeus, incluindo Portugal, com a participação de 20 mil consumidores.

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