Prysmian aponta dependência das importações como principal obstáculo à produção de cabos em Angola

A inexistência de fornecedores nacionais de matéria-prima para a produção de cabos continua a ser o principal desafio enfrentado pela Prysmian em Angola, obrigando a empresa a recorrer integralmente às importações, com impacto directo nos custos de produção e na capacidade de resposta ao mercado.

A preocupação foi manifestada durante a FILDA 2026, que encerra neste Domingo, em Luanda, por Emídio Valentim, responsável pelas vendas aos distribuidores oficiais da empresa.

Em declarações à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, o responsável explicou que a operação da empresa permanece dependente do abastecimento externo, uma realidade que dificulta a gestão dos stocks e encarece todo o processo produtivo.

“Em Angola não existe nada que nos permita obter matéria-prima para a produção dos nossos cabos. Esse é o nosso maior desafio: garantir, atempadamente, o abastecimento dos nossos armazéns para responder à procura do mercado”, afirmou.

Segundo Emídio Valentim, apesar das reformas internas que a empresa tem vindo a implementar para optimizar os processos produtivos, a limitação resulta sobretudo das características do mercado angolano e da reduzida disponibilidade de matérias-primas essenciais à indústria transformadora.

“Há momentos em que a situação melhora e outros em que se torna mais difícil. Ainda assim, acreditamos que o futuro é promissor”, acrescentou.

O responsável sublinhou que a empresa continua a assegurar o fornecimento através da importação, mas reconheceu que essa solução implica custos adicionais que acabam por afectar a estrutura operacional.

“Não temos praticamente nenhuma matéria-prima disponível em Angola para fabricar os nossos cabos. Isso acarreta custos acrescidos que, muitas vezes, não são visíveis à primeira vista e que também não conseguimos controlar”, explicou.

Apesar destes constrangimentos, a Prysmian reafirmou, durante a FILDA 2026, o compromisso com a qualidade dos seus produtos e com o acompanhamento dos clientes empresariais, procurando reforçar a confiança do mercado na marca.

“A nossa presença na FILDA pretende demonstrar que continuamos a produzir com elevados padrões de qualidade e que permanecemos ao lado dos nossos parceiros e clientes”, referiu Emídio Valentim.

O responsável acrescentou que a estratégia da empresa passa por consolidar a imagem de um grupo focado na segurança, na qualidade e na assistência pós-venda, factores que considera determinantes para a fidelização dos clientes no mercado angolano.

A dependência de matéria-prima importada constitui um dos principais desafios para várias indústrias transformadoras instaladas em Angola, numa altura em que o Executivo procura aumentar o conteúdo local da produção e desenvolver cadeias de fornecimento capazes de reduzir os custos industriais e a exposição às oscilações dos mercados internacionais.

Neste contexto, o caso da Prysmian mostra como a ausência de uma indústria nacional de insumos continua a limitar a competitividade e o potencial de expansão do sector manufactureiro.

Fundada na Itália e com sede em Milão, a Prysmian é líder mundial na produção de cabos e sistemas para os sectores da energia e das telecomunicações, estando presente em Angola através da sua actividade industrial e comercial.

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