Projetos habitacionais: Famílias clamam por serviços básicos

O projeto habitacional de Tali Sumbi, localizado na periferia de Cabinda, faz parte das urbanizações sociais construídas para reduzir o défice de habitação na província angolana. Mas as famílias denunciaram uma crise nos serviços básicos que está a forçar muitas pessoas a abandonarem as suas residências.

O morador Ruben Kimpundo, residente no projeto habitacional, lamenta a atual situação.

“É muito triste aquilo que estamos a viver. Cada vez mais as famílias estão a vender as suas casas por falta destas condições básicas. Espero que nos deem energia elétrica, que ajudem as nossas crianças com transporte público. Estamos mesmo a sofrer”, denuncia.

O abastecimento de água é atualmente feito por camiões-cisterna, mas os moradores queixam-se de que chega a faltar durante semanas.

“Em pleno século XXI o cidadão continua a reclamar a falta de água e energia? Isto são coisas sociais básicas. Algumas zonas cheiram mal, ou seja, a fezes por falta de água para as casas de banho. O pouco que se tem, não se pode desperdiçar na sanita”, desabafou.

No setor da educação, a situação é descrita como crítica, de acordo com a moradora Isabel Lopes. “As crianças com menos de 10 anos são obrigadas a percorrer cerca de 3 km diários a pé até à escola”, lamentou.

Medo e insegurança

Outra preocupação prende-se com a tranquilidade que deu lugar ao medo e à insegurança. Os moradores pedem a instalação de uma esquadra policial ou um posto móvel nas proximidades, de modo a garantir uma resposta rápida e dissuadir a ação dos criminosos.

O administrador municipal de Cabinda, Luís Yebo, afirma que o projeto recebe uma a duas cisternas diárias de água e que já está prevista a retoma e conclusão das obras da escola primária em curso.

“A estratégia de melhoria é do conhecimento da comissão de moradores e que o problema da mobilidade está a ser tratado em conjunto com o setor provincial de tutela, visando uma solução”, acrescentou.

O analista angolano Francisco Nguimbi alerta que entregar habitação sem planeamento urbano integrado compromete a dignidade das famílias e gera novos focos de pobreza.

“A habitação não pode ser vista apenas como estrutura física, mas como parte de um ecossistema que inclui saúde, educação transporte e saneamento”, defende.

Adaptar escritórios para resolver crise da habitação

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