PR pede “integridade e frontalidade” à governação do Banco de Moçambique

“Esperamos que trabalhem junto dos demais membros dos órgãos do Banco de Moçambique, como uma única equipa, com a responsabilidade e competência necessárias, com uma única missão institucional e ao serviço do mesmo país e do mesmo povo moçambicano e, sobretudo, da mesma economia. Não estamos à procura de estrelas, mas de uma equipa estrela”, disse Chapo.

A posição foi transmitida após dar posse, na Presidência da República, a Benedita Maria Guimino como vice-governadora, depois de na quarta-feira ter empossado Felisberto Dinis Navalha como novo governador, recompondo assim o principal órgão do Banco de Moçambique, após dez anos de liderança de Rogério Zandamela.

O Presidente moçambicano nomeou na terça-feira o economista Felisberto Dinis Navalha, com um percurso de 28 anos no banco central, para governador, um dia depois de ter indicado Waldemar Fernando de Sousa para o cargo, alegando “questões supervenientes” – conhecidas após a decisão -, depois de divulgados pormenores da investigação ao seu alegado envolvimento no processo das dívidas ocultas do Estado.

A decisão foi anunciada em comunicado pela Presidência moçambicana, que na segunda-feira ao final do dia tinha divulgado a nomeação de Waldemar Fernando de Sousa e de Felisberto Dinis Navalha para vice-governador, agora promovido a governador.

“Com esta tomada de posse, fica constituída a nova liderança do Banco de Moçambique, à qual confiamos a responsabilidade de preservar a estabilidade monetária e financeira, fortalecer a credibilidade do nosso sistema financeiro e contribuir, no quadro das suas atribuições, para a transformação da economia moçambicana”, defendeu hoje Chapo.

“Esperamos desta nova liderança coesão, complementaridade, rigor técnico, responsabilidade, competência, integridade e frontalidade no debate interno e unidade na execução das decisões”, acrescentou o chefe de Estado.

Reconheceu ainda a importância e o exemplo da nomeação de Benedita Maria Guimino, por se tratar, mais de 50 anos depois da criação do Banco de Moçambique, da primeira vez que uma mulher chega ao cargo de vice-governadora: “É um marco na história desta instituição e mais um passo na afirmação do mérito e da capacidade da mulher moçambicana”.

Na sua intervenção, o Presidente moçambicano recordou que o banco central “tem importantes responsabilidades” a manter na prevenção e combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa: “Este é um domínio em que não podemos baixar a guarda. Um sistema financeiro é também sólido quando é íntegro, transparente e capaz de impedir que os seus canais sejam utilizados para ocultar, movimentar ou legitimar recursos provenientes de atividades ilícitas”.

Daí ter desafiado a nova liderança do Banco de Moçambique “a reforçar a supervisão, os mecanismos de prevenção e deteção de operações suspeitas e a cultura de cumprimento” nas instituições financeiras.

“Combater o branqueamento de capitais é proteger a economia nacional. É proteger as nossas instituições. É proteger a reputação do nosso país. E é assegurar que o sistema financeiro esteja ao serviço daqueles que trabalham, produzem, investem e criam riqueza de forma honesta, lícita e legítima”, defendeu.

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