O Instituto da Economia da IA da Microsoft publicou a atualização do AI Diffusion Report relativa ao primeiro trimestre de 2026, um estudo que acompanha a disseminação da Inteligência Artificial em 147 economias, analisando níveis de adoção, maturidade tecnológica, impacto organizacional e tendências de utilização em diferentes setores de atividade.
Em Portugal, a taxa de adoção de IA entre a população em idade ativa subiu de 24,2% no segundo semestre de 2025 para 26,4% no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 2,2 pontos percentuais. A evolução mantém uma trajetória positiva, mas insuficiente para acompanhar o ritmo de aceleração observado em vários mercados internacionais.
Apesar do crescimento registado, Portugal desceu para a 20.ª posição no ranking europeu e para o 36.º lugar a nível mundial, sinalizando uma perda relativa de competitividade tecnológica. O movimento reflete sobretudo a velocidade de execução de outras economias, num contexto em que a adoção de IA deixou de ser apenas um indicador de inovação e passou a funcionar como métrica de capacidade operacional e produtividade.
A nível global, a adoção média de IA aumentou de 16,3% para 17,8% no espaço de poucos meses. O relatório identifica, contudo, uma expansão estruturalmente desigual, fortemente condicionada pela disponibilidade de infraestruturas digitais, capacidade computacional, acesso a conectividade e qualificação técnica da força de trabalho.
O diferencial entre o Norte Global e o Sul Global continua a aprofundar-se, evidenciando que a adoção de IA depende cada vez mais de fatores estruturais e não apenas de disponibilidade tecnológica. No primeiro trimestre de 2026, os países do Norte Global atingiram uma taxa média de adoção de 27,5%, acima dos 24,7% registados no período anterior. Já o Sul Global avançou de 14,1% para 15,4%, mantendo um desfasamento significativo.
O relatório destaca igualmente uma alteração relevante na distribuição geográfica da inovação em IA. Pela primeira vez, dez economias ultrapassaram os 40% de adoção, entre as 147 analisadas. Os Emirados Árabes Unidos lideram com 70,1%, seguidos por Singapura, com 63,4%, enquanto Noruega e Irlanda registam 48,6% e 48,4%, respetivamente.
Os Emirados Árabes Unidos tornam-se o primeiro mercado a superar os 70% de adoção de IA, demonstrando o impacto de estratégias nacionais focadas em investimento intensivo em infraestrutura, políticas de capacitação e integração transversal da tecnologia na economia.
A Ásia surge como o principal motor de crescimento nesta fase de expansão. Segundo o estudo, doze das quinze economias com maior aceleração desde junho de 2025 pertencem à região asiática, todas com um aumento superior a 25% no número de utilizadores de IA.
O documento aponta ainda para uma mudança estrutural no desenvolvimento de software, uma das áreas onde a adoção de IA apresenta maior maturidade operacional. A utilização de modelos de IA está a expandir-se ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento aplicacional, desde a geração de código à automatização de testes, documentação e colaboração entre equipas.
O crescimento da atividade em plataformas como o GitHub é identificado como um indicador da integração crescente da IA nos processos de engenharia de software e na automatização de fluxos de desenvolvimento. Segundo o relatório, esta evolução está associada a ganhos de produtividade, aceleração de ciclos de entrega e maior eficiência operacional nas equipas técnicas.
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