Pesquisadores defendem nova etapa da cooperação científica entre China e Brasil para impulsionar inovação e desenvolvimento – Brasil 247

247 – A cooperação entre China e Brasil nas áreas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) tem potencial para inaugurar uma nova fase da parceria estratégica entre os dois países, baseada em planejamento de longo prazo, desenvolvimento sustentável e fortalecimento da soberania tecnológica. Essa é a principal conclusão do artigo “Novos caminhos para o progresso comum”, assinado por Liu Jinlong, Jia Lumeng e Verena Hitner Barros e publicado pelo China Daily.

Os autores argumentam que, após mais de cinco décadas de colaboração bilateral, China e Brasil reúnem condições para aprofundar sua integração científica em áreas estratégicas como inteligência artificial, economia digital, computação em nuvem, manufatura avançada e tecnologias de baixo carbono. Segundo eles, essa cooperação poderá contribuir não apenas para o desenvolvimento dos dois países, mas também para a construção de uma “comunidade com futuro compartilhado para a humanidade”.

Modelo chinês oferece referências para o Brasil

O artigo destaca que o êxito da China em inovação resulta de um modelo de desenvolvimento liderado pelo Estado, baseado em planejamento estratégico de longo prazo e coordenação entre governo, universidades, institutos de pesquisa e empresas.

Segundo os autores, essa estrutura permitiu ao país alcançar posições de liderança em setores como inteligência artificial, veículos elétricos, energias renováveis, saúde, agricultura de alta tecnologia e manufatura avançada.

Na avaliação dos pesquisadores, a estabilidade das políticas públicas e os investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento criaram um ambiente favorável para que a inovação se transformasse em motor do crescimento econômico chinês.

Brasil perdeu capacidade de coordenação tecnológica

O artigo também faz uma análise da trajetória brasileira nas últimas décadas. Segundo os autores, a partir dos anos 1980 o país abandonou gradualmente um modelo de desenvolvimento fortemente coordenado pelo Estado e passou a adotar políticas mais orientadas pelo mercado.

Na avaliação apresentada, essa mudança provocou consequências importantes para o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. Entre elas estão a descontinuidade dos investimentos em pesquisa, a fragmentação das instituições responsáveis pelas políticas científicas e a perda de coordenação entre universidades, centros de pesquisa, empresas e governo.

Os autores sustentam que esses fatores retardaram a construção da autonomia tecnológica brasileira e dificultaram a transformação do conhecimento científico em inovação industrial.

Governo Lula busca reconstruir políticas de desenvolvimento

O artigo observa que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem promovendo uma revisão dessa trajetória ao recuperar instrumentos de planejamento estatal e fortalecer políticas industriais, científicas e tecnológicas.

Segundo os autores, o desafio não consiste em substituir o mercado pelo Estado, mas em construir um equilíbrio capaz de combinar dinamismo econômico com coordenação estratégica, favorecendo investimentos de longo prazo e o fortalecimento das capacidades nacionais de inovação.

Essa reorientação, afirmam, cria condições favoráveis para ampliar a cooperação tecnológica com a China.

Inteligência artificial e economia digital estão entre as prioridades

Os pesquisadores defendem que a próxima etapa da parceria sino-brasileira deve concentrar esforços em setores emergentes, incluindo inteligência artificial, computação em nuvem, economia digital, manufatura avançada e plataformas conjuntas de pesquisa e desenvolvimento.

Para eles, a criação de mecanismos permanentes de cooperação entre universidades, centros tecnológicos e empresas dos dois países poderá acelerar a transferência de conhecimento e ampliar a capacidade de inovação conjunta.

O artigo também destaca que Brasil e China possuem características complementares, capazes de gerar avanços em áreas como agricultura, biodiversidade, saúde e tecnologias industriais.

Sustentabilidade e proteção ambiental

Outro eixo central da cooperação proposto pelos autores envolve a agenda ambiental.

Segundo o artigo, os dois países podem ampliar projetos conjuntos voltados ao desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono, energias renováveis, economia verde e transição ecológica.

Os pesquisadores ressaltam ainda o potencial da cooperação científica para fortalecer a preservação da Amazônia e do Cerrado, conciliando conservação ambiental, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável.

Parceria estratégica para um futuro comum

Na conclusão, Liu Jinlong, Jia Lumeng e Verena Hitner Barros afirmam que a cooperação em ciência, tecnologia e inovação pode se tornar um dos principais pilares da parceria estratégica sino-brasileira nas próximas décadas.

Segundo os autores, o aprofundamento dessa agenda permitirá fortalecer a confiança mútua, ampliar a capacidade de enfrentar desafios globais e contribuir para um modelo de desenvolvimento mais inclusivo, sustentável e baseado no compartilhamento de conhecimento.

Para os pesquisadores, a experiência acumulada ao longo de mais de cinquenta anos de relações diplomáticas demonstra que Brasil e China possuem todas as condições para construir uma cooperação científica cada vez mais profunda, transformando a inovação em um instrumento de desenvolvimento nacional e de fortalecimento da cooperação entre os países do Sul Global.

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