O empresário Luciano Hang publicou em suas redes sociais um ranking das maiores economias do mundo em 1980 e 2026, segundo o qual o Brasil teria caído da 6ª para a 11ª posição. Falta contexto. O gráfico mistura métricas diferentes sobre a economia dos países: em 1980, considera o PIB por paridade de poder de compra (PPC), enquanto, para 2026, usa o PIB nominal.
““O Brasil está regredindo! […]ao longo das últimas décadas, o Brasil perdeu espaço entre as maiores economias do mundo.
Em 1980, segundo a série histórica do FMI usada neste levantamento, o Brasil aparecia na 6ª posição. Hoje, ocupa apenas o 11º lugar. ”
– Legenda de publicação do empresário Luciano Hang no Facebook.
O post alega que os dados seriam do Fundo Monetário Internacional (FMI), que mede valores nominais do PIB de países em dólares americanos correntes. Segundo esse índice, no entanto, o Brasil estava na 16ª posição em 1980, com um Produto Interno Bruto (PIB) nominal de US$145,8 bilhões.
Naquele ano, o país só entrava no ranking das 10 maiores economias quando considerado o PIB por paridade de poder de compra. Nesse indicador, os valores são ajustados pelas diferenças de preços entre países, permitindo comparar o volume de bens e serviços produzidos, levando em conta o poder de compra de cada economia. O índice colocava o Brasil na 7ª posição em 1980, atrás de Estados Unidos, Japão, Alemanha, Itália, França e Reino Unido. Em 2026, a projeção do FMI é que o país fique na 8ª posição nesse quesito.
Apesar da queda no ranking, uma análise do Instituto Humanitas Unisinos mostra que o Brasil teve um crescimento de 6,5 vezes do PIB por paridade de poder de compra entre 1980 e 2022. O aumento, no entanto, foi menor do que o de outros países, como China e Índia, o que explica a queda no ranking mundial.
Já com relação ao PIB nominal, o Brasil deverá estar na 10ª ou 11ª posição este ano – subindo 5 ou 6 posições com relação a 1980.
O post faz uma comparação incorreta entre a posição obtida em poder de paridade de compra em 1980 com a posição projetada para o PIB nominal do país em 2026, para insinuar que a economia brasileira esteve em declínio todos esses anos.
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