Em parceria com o Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA) e a Embaixada da França no Brasil, o evento marcado para esta sexta-feira discute a ocupação humana de quase 8 mil anos da Guiana Francesa e sua conexão com a Amazônia brasileira, a partir de pesquisas arqueológicas locais e internacionais.
Agência Museu Goeldi – A palestra “A Guiana Francesa, o rico passado da Amazônia Atlântica” acontecerá no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), às 10h da próxima sexta (08/05). O diálogo, conduzido pelo pesquisador Stéphen Rostain, busca ampliar os horizontes entre pesquisas internacionais e locais sobre a arqueologia do Caribe, com foco na Guiana Francesa, e suas conexões com a Amazônia brasileira. O evento é uma parceria entre o Museu Goeldi, o Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA) e a Embaixada da França no Brasil. O debate é aberto ao público visitante do Parque, que poderá conhecer um pouco mais sobre a temática.
De acordo com Helena Lima, coordenadora de Ciências Humanas (COCHS/MPEG), a ideia é reunir, além do público do Museu Goeldi, outros interessados na temática, mantendo um diálogo amplo, direcionado à sociedade em geral. Para facilitar o acesso das pessoas, foi escolhido o auditório do Centro de Exposições, no Parque Zoobotânico, no bairro São Brás, em Belém. Ainda segundo a arqueóloga, o debate busca trazer a história da Guiana Francesa amazônica, por meio da arqueologia, com a contribuição da tradição de pesquisas arqueológicas promovidas pelo Museu Goeldi.
“A palestra será proferida em espanhol e vai estar conectada a uma visita à exposição Diversidades Amazônicas, que traz conteúdos novos e importantes sobre a diversidade sociocultural da Amazônia, de povos que ocupam e ocuparam a região, tanto no passado quanto no presente. Além de ouvir o pesquisador, a gente espera ampliar esse debate público. O intercâmbio de conhecimentos é um caminho para isso. Os povos da Amazônia, os povos tradicionais de hoje e os pesquisadores e estudantes locais também têm muito a dizer. Então, essa parceria se dá em um caráter de diálogo equitativo de produção de conhecimento e conhecimento contextualizado da região”, explicou Helena Lima.
O palestrante
O pesquisador e arqueólogo Stéphen Rostain é diretor de pesquisa no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e dedicou quase 40 anos de sua trajetória à pesquisa na Amazônia. Com foco nas áreas da Guiana Francesa e do Caribe, ele busca entender o passado da região e a sua conexão com o presente. Rostain é coautor do livro “Koriabo, from the Caribbean Sea to the Amazon River”, em parceria com outros 32 autores, publicado pelo Museu Goeldi. O livro foi lançado em 2016 e traz informações até então inéditas sobre as conexões de povos antigos entre Caribe, Guiana e Baixa Amazônia.
Em suas pesquisas, o pesquisador fala sobre a interação dos povos originários com a floresta tropical e sobre o grande desenvolvimento da Guiana Francesa, com quase 8 mil anos de ocupação humana. Suas escavações mostram vestígios de populações coloniais apagadas pela história, que revelam eventos marcantes de um passado recente na região, como a escravidão, a corrida pelo ouro, o surgimento da sociedade crioula e outros. Por meio da arqueologia, o pesquisador convida os participantes a conhecerem essa região da Amazônia – com os eventos do passado, abrindo caminho ao presente – e seu desenvolvimento.
Parceria Brasil–França
O evento também renova a parceria Brasil–França. As relações diplomáticas entre os dois países completaram 200 anos em 2025 – considerado o Ano Cultural Brasil-França. A ocasião foi marcada pela realização, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, do evento Conexões Amazônicas, no qual foram apresentadas várias pesquisas colaborativas entre o Brasil e a França. Além disso, houve outros entendimentos institucionais, a exemplo da carta de intenção assinada, no ano passado, entre o Museu Goeldi e o Muséum National d’Histoire Naturelle (MNHN) da França, que representa uma pretensão formal de união de esforços para o aprimoramento de atividades institucionais, com validade de cinco anos.
Segundo Nadège Mézié, coordenadora pela França do Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica, a parceria entre o Museu Goeldi e a França é considerada uma tradição, e a renovação desse laço é um dos objetivos desse evento. “O CFBBA se esforça para reforçar a cooperação entre o Museu Goeldi e as várias instituições francesas. Essa é uma temática importante para nós do lado francês, a questão da arqueologia e sua ligação com a biodiversidade e a produção dela dentro da Amazônia, de pensar o quanto essa floresta foi moldada pelo povoamento e pelas comunidades indígenas,” completou Nadège Mézié.
Segundo ela, há a expectativa de mais projetos de pesquisa, mobilidade de alunos e de professores e mais intercâmbios, além de facilitar as colaborações com a Guiana Francesa. “Sabemos que existem várias possibilidades de cooperação. Então, o CFBBA se coloca à disposição para facilitar todas essas parcerias entre o Museu Goeldi e a França”, finalizou.
Texto: Isabella Gabas
Edição: Andréa Batista
SERVIÇO:
Palestra “A Guiana Francesa, o rico passado da Amazônia Atlântica”
Data/hora: Sexta-feira (08/05), 10h
Local: Auditório do Centro de Convenções Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi – Avenida Magalhães Barata, 376, São Brás, Belém-PA.
Acesso ao Parque: ingresso R$ 3, com meia-entrada e gratuidades previstas em leis.
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