Página falsa da CNE de Cabo Verde permite identificar rede fraudulenta

A investigação começou com exercício didático no âmbito de um estágio curricular que está a ser realizado no Lusa Verifica, o projeto de verificação de factos da agência Lusa, por parte de uma jovem cabo-verdiana, finalista de jornalismo em Portugal.

A ideia era mostrar técnicas forenses para perceber a origem de um ‘site’ falso que usava o nome da CNE cabo-verdiana para divulgar uma alegada campanha de recrutamento.

Mas a análise ao código-fonte da página revelou ligações para vários perfis no Blogger, uma plataforma de criação de ‘blogues’ da Google, e essa descoberta desencadeou uma investigação mais aprofundada ao longo de várias semanas.

A partir desse primeiro grupo de perfis, presentes na programação de dezenas de páginas, a equipa da Lusa Verifica (jornalista e estagiária) encontrou novos endereços e o processo repetiu-se: abrir novas ligações, consultar o respetivo código-fonte, identificar mais perfis e localizar novas páginas.

No total, a análise permitiu chegar a um universo de 2.197 endereços aparentemente ligados à mesma rede, já noticiada pela Lusa, que incluía endereços dirigidos a pelo menos 94 países, entre os quais Portugal.

No caso da CNE CV, a página falsa simulava uma falsa oferta de recrutamento, mas a rede fraudulenta recorre a outros esquemas como a oferta de dados móveis ou de alegados apoios financeiros, por vezes em nome de entidades públicas, organizações internacionais, empresas e figuras públicas.

A página que desencadeou a investigação foi entretanto eliminada após a CNE CV ter denunciado o uso indevido do seu nome e imagem institucional algumas semanas antes das eleições de 17 de maio.

Na nota, a CNE cabo-verdiana afirmou que a página “não tem qualquer vínculo” com a instituição e alertou os cidadãos para não partilharem a publicação, não enviarem dados pessoais e não responderem a anúncios de fontes não oficiais.

Porém, a investigação da Lusa Verifica localizou uma segunda página falsa idêntica, com o mesmo tipo de esquema em nome da CNE CV, que continuou ativa até perto da data das eleições legislativas de 17 de maio.

Atualmente, essa página ainda existe mas tem um redirecionamento instantâneo para outra que simula fornecer respostas do exame WAEC, sigla em inglês do Conselho de Exames da África Ocidental, presente na Nigéria, Gana, Serra Leoa, Gâmbia e Libéria.

Como já revelado pela Lusa, além da CNE CV, a rede de mais de 70 perfis identificados também falsificou outras 73 páginas de outras CNE de 26 países, incluindo outros países africanos de língua oficial portuguesa, e até da CNE de Portugal, como analisado numa verificação de factos da Lusa Verifica.

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