As conclusões acompanham um relatório que assinala uma “redução significativa das detenções prolongadas e dos desaparecimentos forçados” após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro
As Nações Unidas consideraram esta quarta‑feira que as instituições estatais responsáveis pela repressão e violações de direitos humanos na Venezuela continuam “intactas”, apesar de melhorias “limitadas” registadas no último ano.
“Enquanto não forem desmanteladas as estruturas repressivas, garantida a independência judicial e devidamente investigados e sancionados os responsáveis por violações de direitos humanos, qualquer abertura permanecerá frágil e reversível,” apontou a Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre a Venezuela da ONU.
“Os venezuelanos merecem mudanças reais e significativas nesta matéria, não avanços tentativos e incompletos”, advertiu a presidente da Missão, Sofía Macher.
As conclusões acompanham um relatório que assinala uma “redução significativa das detenções prolongadas e dos desaparecimentos forçados” após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro na operação norte‑americana contra Caracas em 03 de janeiro.
A Missão identificou cerca de vinte funcionários pela sua participação em “graves violações” de direitos humanos, que “continuam a ocupar, ou foram reassinados para cargos‑chave” depois da transferência de poderes para a presidente interina Delcy Rodríguez, antiga número dois de Maduro.
O relatório reconhece a “redução de algumas das formas mais severas de repressão”, incluindo a libertação de centenas de presos políticos e um contexto mais favorável para protestos e reuniões públicas, mas lamenta que “a impunidade pelos crimes do passado persista”.
Os pequenos avanços, acrescenta, “não foram acompanhados das reformas institucionais necessárias para garantir uma melhoria significativa e sustentada da situação dos direitos humanos” e a Missão chegou mesmo a investigar 64 novos casos de tortura após 03 de janeiro.
A ONU denunciou ainda a vigência de leis usadas para “criminalizar a dissidência”, bem como o facto de as forças de segurança e os serviços de informação “manterem essencialmente as mesmas estruturas, políticas e práticas”.
O relatório sublinha também a necessidade de “desarmar ou desmantelar” grupos comunitários que têm sido “uma fonte permanente de intimidação e violência” e sobre os quais o Executivo de Rodríguez não interveio.
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