Onde comer no Uruguai? Jóias (nem tão) escondidas em Montevidéu valem a viagem

Entraña, vazio, pulpa. Lulas, merluza negra, corvina branca. Mollejas, morcilla, milanesas. Esses são alguns dos preparos que valem a pena provar quando se estiver de passagem pelo Uruguai. Restaurantes apreciados pelos locais, aclamados pela crítica e respeitados por sua tradição compõem uma vasta gama de sabores em um país pequeno em extensão, estreito em população e cheio de uma cultura que conversa com muitas outras mais.

Em extensão, cabem mais de 115 Cidades de São Paulo em um Uruguai. Em termos de população, cabem mais de quatro Uruguais em uma só Cidade de São Paulo. Esse país que fica ao sul do Sul do Brasil, que, ao Norte, divide uma cultura gaúcha com os brasileiros do Rio Grande do Sul, é separado da Argentina por uma fração de água chamada Rio de La Plata, e tem sim muita história para contar.

Gastronomicamente, que a carne e a parrilla são boas, isso todo mundo sabe, mas em um país com 660 km de litoral – muita coisa quando se considera os pouco mais de 176 mil km² de área total – os peixes e frutos do mar também não deixam a desejar. Seja nos guias turísticos ou fora deles, nos roteiros gastronômicos clássicos, ou nas dicas vindas do boca a boca entre conterrâneos, o uruguai guarda joias – às vezes bem guardadas, às vezes escancaradas – que valem (e muito) a visita.

La Otra

A parrilla com jeitinho de caseira e com qualidade de mestre pode ser encontrada no La Otra Foto: Giulia Howard/Estadão

Um dos queridinhos da população local de Montevidéu, o La Otra está sempre cheio e serve excelentes carnes na parrilla. O cardápio em madeira deixa claro a que veio: um lugar de comida na brasa, com ingredientes de qualidade e que não se rende a frescuras.

A molleja (R$ 70, 570 pesos) e o chorizo (linguiça, R$ 39, 320 pesos) podem (e devem) abrir os trabalhos, acompanhados do couvert com pães quentinhos, vinagrete e chimichurri.

De prato principal, escolhe-se por cortes. Vazio, pulpa e entraña são os mais recomendados e partem de R$ 119, 970 pesos. Para acompanhar, o pimentão assado (R$ 44, 360 pesos) é uma boa pedida, mas o boniato al pomo (R$ 44, 360 pesos) – glaseado (com açúcar) ou não – é uma exigência, afinal, é o acompanhamento clássico do churrasco do país.

De sobremesa (ambas por 420 pesos, R$ 52), as famosas panquecas de doce de leite uruguaias são imperdíveis, bem como o bolinho de chocolate no estilo vulcão que é tão absurdo que seu próprio nome é uma piada com o sair da dieta. “Elunesempiezo”, do português “e na segunda-feira começo”, faz piada com o adiamento da dieta para se render ao desejo de uma bela sobremesa de chocolate.

Dica: quando no Uruguai, peça a carne “rugosa” (mal passado) para que venha ao ponto. O mal passado deles é, na verdade, o nosso ponto rosado, enquanto o ao ponto é para lá de bem assado.

Onde: @laotraparrilla | Tomás Diago 758, 11300 Montevideo, Departamento de Montevideo, Uruguai

Es Mercat

A merluza negra é um peixe com textura e muito sabor, feita na brasa no Es Mercat Foto: Giulia Howard/Estadão

No Mercado del Puerto, onde, curiosamente, o forte – dizem – são as carnes e a parrilla, o Es Mercat foca em peixes e frutos do mar deliciosos na brasa, com toques espanhóis, para fazer brilhar o melhor do mar e mar misturado ao rio uruguaio.

As lulas salteadas (R$ 97, 790 pesos) e o polvo (R$ 240; 1950 pesos) são muito gostosos, mas a merluza negra (R$ 197, 1600 pesos) rouba a cena completamente. O peixe de águas profundas com carne branca consistente, é carregado de sabor e vem acompanhado por uma batata ao murro na brasa que faz a expressão “água na boca” parecer até um eufemismo de tanto que se água ao simplesmente olhar.

Onde: @esmercatuy | Colón 1550, 11000 Montevideo, Departamento de Montevideo, Uruguai

Manzanar

As mollejas são um preparo clássico uruguaio e, no Manzanar, chegam à mesa com limão-siciliano assado por cima Foto: Giulia Howard/Estadão

Esse aqui é a razão por trás do “(nem tão)” incluído no título desta matéria. Afinal, um restaurante consagrado como um dos melhores pelo 50 Best América Latina não tem nada de escondido.

A sua localização também o deixa bastante escancarado: aos fundos do Hotel-Cassino Sofitel, um dos principais da cidade, no bairro de Carrasco, está em uma pequena praça. Busque pelo desenho vermelho que parece abstrato, masse trata de uma copa de árvore com pequenas maçãs. Não haveria de faltar uma fração simbólica de um pomar, que, em espanhol, claro, é “manzanar”.

Agora, à comida. Diversa, autoral e preocupada em trazer elementos regionais e com identidade uruguaia para cozinhas universais, a culinária das chefs-irmãs Jimena e Victoria Barbero vai do sushi e tiraditos a pratos que passam pelo fogo e pela brasa, chegando para aquecer e encantar à mesa.

O caldo de carne abre os trabalhos como uma bomba de umami. A boca saliva e prepara para o espetáculo que está por vir. Depois, não deixe de provar as mollejas com limão-siciliano assado (R$ 96, 780 pesos uruguaios), o tiradito de pescado branco com aguachile amarelo que troca o avocado pela manga (760 pesos uruguaios, equivalente a R$ 94) e as empanadas que mudam o recheio de tempos em tempos, o da vez era de camarão muito bem temperado (R$ 64, 520 pesos). Para chuchar, a fainá (R$ 58, 470 pesos) é um clássico uruguaio com quê de pizza branca e feito de grão-de-bico.

O wagyu derrete na boca e faz valer mais uma aposta em carnes na viagem (R$ 190, 1540 pesos), mas também não deixe de provar o frango do campo, assado, com pele crocante e kéfir (R$ 155, 1260 pesos) – lembra comida de casa, mas com um toque de brasa único. Os dois pratos com acompanhamentos servem bem duas pessoas cada, a depender da fome.

Os acompanhamentos podem ser pedidos à parte, com destaque para o arroz crocante com brócolis (R$ 34, 280 pesos). De sobremesa, a tarta basca com membrillo, um marmelo em conserva, ora apenas no açúcar, ora no vinho tinto, que contrasta bem com a cremosidade deliciosa da torta de queijo.

Onde: @manzanar.restaurant | Carlos Federico Saez 6463, 11500 Montevideo, Departamento de Montevideo, Uruguai

Francis

O risoto de cordeiro com cogumelos do Francis mostra como a tradição pode sim ser surpreendentemente deliciosa Foto: Giulia Howard/Estadão

Esse é um clássico uruguaio. Toalha na mesa, taças, um couvert com direito a patê de fígado de galinha e pães quentinhos e tudo que um restaurante tradicional tem direito. O Francis já chegou a brilhar muito aos olhos dos uruguaios e é o que se pode dizer atemporal.

Quando pensar que a tradição não pode surpreender, peça o risoto de cordeiro e cogumelos (R$ 122, 990 pesos), suculento, encorpado, com cordeiro macio e saboroso, uma bomba de sabor e conforto que encanta por ser o que é, simples, clássico e para lá de saboroso. O matambrito (porco) com batata rosti e molho de mostarda (R$ 104, 845 pesos) também vale bastante a pena.

Uma dica? Se quiser entradinha, divida o prato. Muito bem servidos, os preparos no Francis dão facilmente para dois, mas, para os glutôes curiosos, recomenda-se pedir dois pratos para provar ainda mais sabores da casa.

Onde: @francis_montevideo | Luis de la Torre 502, 11300 Montevideo, Departamento de Montevideo, Uruguai

El Berretín

E um restaurante cujo destaque não é exatamente a comida, mas a história e a curiosidade que levam até ele. No salão aos fundos do El Berretín, em um canto com uma imagem de bodega na parede, o chão deixa de ser madeira e se torna vidro.

O que há por baixo? Um buraco meio túnel por onde Pepe Mujica, personalidade política e ex-presidente do Uruguai, e outros prisioneiros escaparam da prisão em 1971. Vale dar uma passada, conhecer o lugar e, se estiver com fome, sentar-se em uma das mesas sobre o local histórico e aproveitar.

Onde: @elberretin | Dr. José María Montero 3052, 11300 Montevideo, Departamento de Montevideo, Uruguai

*preços aproximados considerando a cotação do dia 30 de abril de 2026. Conversão feita de Peso Uruguaio para Real Brasileiro.

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