História de vida
História de Analice Lorini mostra que o vínculo com o filho ultrapassa o tempo e a ausência
7 de maio de 2026
Atualizado 1 horas atrás
O Dia das Mães que, em 2026 é celebrado neste dia 10 de maio, costuma ser marcado por encontros, abraços e celebrações. Para algumas mulheres, porém, a data também é atravessada pela saudade. Ainda assim, o amor permanece. É nessa permanência que histórias como a de Analice Lorini ganham sentido e força.
Aos 33 anos, a moradora de Taquaruçu do Sul carrega na memória e no coração a trajetória ao lado do filho Davi. Uma história que começa de forma inesperada, atravessa uma longa batalha pela vida e se transforma em um testemunho de amor que não termina.
Uma surpresa que mudou o rumo da vida
A maternidade chegou sem planejamento, em meio a exames que inicialmente indicavam um problema de saúde. O susto deu lugar a uma descoberta que transformaria completamente o caminho de Analice.
“Mesmo não sendo planejado, foi a melhor notícia que eu poderia receber”, lembra.
Desde então, ela passou a compreender a maternidade como entrega total. Um sentimento que, com o tempo, se aprofundou em cada gesto cotidiano.
“Ser mãe é querer dar a própria vida e desejar trocar de lugar para não ver o filho sofrer”, define.
O início de uma batalha inesperada
A rotina da família mudou drasticamente quando Davi, ainda pequeno, começou a apresentar dores persistentes na barriga. O acompanhamento inicial foi feito pelo pediatra Gilson Damo, que solicitou exames e acompanhou de perto os primeiros sinais. Mesmo com atendimentos frequentes, o diagnóstico só veio após a realização de uma ecografia, que revelou a presença de um tumor. A partir de então, a vida da família passou a ser guiada por hospitais, exames e decisões urgentes.
Davi foi encaminhado para tratamento especializado em Passo Fundo, no Hospital São Vicente de Paulo, onde passou a ser acompanhado por uma equipe de oncologia pediátrica formada por profissionais como os médicos Pablo Santiago, Marcelo Cunha, Caroline Fincatto e Alice Moraes D’Avilla.
Entre a esperança e o medo
O diagnóstico de neuroblastoma, um câncer agressivo comum na infância, deu início a uma longa jornada de tratamento. Em poucos dias, o tumor apresentou crescimento acelerado, exigindo intervenções imediatas. Davi enfrentou internações prolongadas, incluindo 23 dias na UTI, além de cirurgias e sessões intensas de quimioterapia. Ao todo, foram meses de hospitalização e um tratamento que se estendeu por um ano e nove meses.
Durante esse período, a mãe precisou lidar com a dor em silêncio, enquanto se mantinha firme diante do filho.
“Eu tinha que deixa-lo no bloco cirúrgico sem saber se ia conseguir passar por mais uma cirurgia. Isso me quebrava por dentro”, recorda.
Ainda assim, ela escolheu esconder o sofrimento.
“Eu sempre guardei tudo para mim, para nunca demonstrar para ele que as coisas não eram fáceis”, conta.
Mesmo diante das incertezas, a fé permaneceu como sustentação.
“Eu sempre tive muita fé na recuperação dele”, afirma.
A rede de cuidado e solidariedade
Além da força individual, a trajetória de Davi também foi marcada pelo apoio de profissionais de saúde e da comunidade. Analice lembra com gratidão da forma como foi acolhida durante o tratamento.
“Eles sempre explicavam tudo com calma, nunca escondiam nada, mas também nunca deixavam a gente perder a esperança”, diz ela, sobre a equipe médica.
Fora do ambiente hospitalar, a mobilização da comunidade ajudou a enfrentar as dificuldades práticas do tratamento, como custos com exames e medicações. O apoio, segundo ela, foi essencial para que conseguisse manter o cuidado com o filho durante todo o processo.
O amor que permanece
Após meses de luta intensa, Davi faleceu em junho de 2023, em decorrência de complicações causadas pelo tratamento. A perda, embora profunda, não apagou o significado da maternidade.
“Eu não me arrependo de nada, faria tudo de novo se fosse preciso”, afirma.
Hoje, ela fala do filho como presença constante, que segue guiando seus passos.
“Ele é minha força, minha luz. Me ensinou o verdadeiro significado do amor”, diz.
A despedida não rompeu o vínculo.
“Te amo daqui até a eternidade. Meu raio de sol, meu pequeno Davi”, declara.
Neste Dia das Mães, Analice transforma sua história em um chamado à valorização do presente. Para ela, o cotidiano simples é onde mora o que realmente importa.
“Abrace, beije, aproveite. A casa bagunçada é detalhe. Esses momentos passam muito ligeiro”, compartilha.
Para mães que enfrentam a doença dos filhos, deixa uma mensagem de fé e resistência.
“Só nós sabemos o quanto é difícil, mas tudo passa. Cada um no seu tempo”, finaliza.
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