Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim afirma que, na operação industrial da BYD, a mão de obra do chão de fábrica é majoritariamente brasileira.
“Na manufatura, que é a parte de montagem, estamparia, pintura, a parte operacional, não tem chinês na linha de produção. É só trabalhador brasileiro. Vamos dizer que o chão de fábrica é brasileiro”, diz.
Segundo ele, os profissionais chineses aparecem principalmente em funções de chefia, supervisão, engenharia, administração e apoio à implantação. Bonfim afirma que já há brasileiros assumindo postos de liderança dentro da operação.
Para o sindicalista, parte do volume de trabalhadores chineses na Bahia está ligada também à construção civil e às obras de implantação do complexo industrial. Bonfim também critica o tom de parte das discussões sobre a presença de chineses em Camaçari e na região de Salvador. Para ele, a percepção pública é influenciada pelo fato de os trabalhadores chineses serem mais facilmente identificados do que expatriados de outras nacionalidades que passaram por ciclos anteriores da indústria automotiva.
“Na Ford tinha gente de outras nacionalidades, americanos, canadenses, mexicanos, e ninguém falava nada. Você via um americano e podia até confundir com brasileiro. Agora, quando vê um chinês em Salvador, já associa à BYD”, diz.
Bonfim reconhece, porém, que há conflitos culturais e reclamações trabalhistas no dia a dia, especialmente envolvendo formas de gestão mais rígidas. “Eles são muito rígidos em algumas situações, já tratamos casos de assédio moral junto ao sindicato e ao RH da empresa. Tem coisa que precisa ser adaptada ao país em que eles estão. Eles têm que entender que estão no Brasil, não estão na China”, diz.
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