A maior parte das autoridades políticas dos EUA e mesmo dentro do jornalismo e da academia não se interessa pelo que os americanos costumam chamar de América Latina, que basicamente inclui todos os países do Rio Grande no México à Terra do Fogo na Argentina. Independentemente de serem democratas ou republicanos, o tal establishment de Washington e aqui de Nova York prefere temas ligados a Europa, Oriente Médio e Leste Asiático. América Latina e África? Nem passa pela cabeça deles.
Vou até usar como exemplo o jornal The New York Times. Seus principais colunistas de política internacional, como Thomas Friedman e Nicholas Kristof, raramente escrevem sobre o que ocorre na região, com raras exceções como temas de imigração, México e eventualmente Cuba e Venezuela. Brasil não entra na lista. O ex-secretário de Estado Anthony Blinken, assim como o então presidente Joe Biden, ignoravam completamente a América Latina e em especial a América do Sul. Mal sabiam dizer “buenos dias”, apesar de viverem em um país onde parcela expressiva da população fala espanhol.
Donald Trump não é diferente da maioria em Washington. O presidente, apesar dos elogios ao colega brasileiro, praticamente nunca fala o nome de Lula. Talvez não lembre. Simplesmente, o Brasil não está no radar dele. Flavio Bolsonaro? Trump certamente conhece e gosta da família, mas tampouco dá muita importância ao pai e aos filhos. Nada muito além de uma simpatia. Uma relação de ídolo com fãs — similar à relação com o argentino Javier Milei.
No meio deste deserto de desinteresse pela América Latina, há uma figura que desde a infância demonstra enorme interesse pela região. Naturalmente, falo do secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio. Filho de cubanos, é fluente em espanhol, entende português, identifica-se como latino-americano, adora política externa, tendo sido presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e estuda a política e a economia do continente. Conhece a história, o contexto atual e sabe quem são os principais atores políticos nos principais países, incluindo o Brasil.
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