“Hoje, Cabo Verde está mais forte, mas os cabo-verdianos são, com razão, mais exigentes. A próxima etapa exige uma nova ambição: transformar crescimento em rendimento, estabilidade em oportunidades e progresso em qualidade de vida”, lê-se na síntese do programa “Cabo Verde para a Frente”, apresentado aos jornalistas na cidade da Praia, capital.
Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro que procura um terceiro mandato, explicou: o crescimento já se tem refletido no rendimento nos dois mandatos realizados, mas “é preciso reforçar”.
“Não há forma de não ligar o crescimento económico ao rendimento”, sublinhou, refutando “uma tese que se repete sistematicamente, que não tem base de sustentação”, de que o Governo apresenta indicadores de crescimento que depois não se notam no quotidiano.
Tal como a contração durante a pandemia de covid-19 “provocou mais pobreza”, a expansão trouxe recuperação económica e “os países que crescem são os que têm mais rendimento”, disse.
O crescimento económico no arquipélago não está ancorado apenas no consumo, reflete “mais empresas a investir”, a “gerar emprego” e a contribuir com mais recursos para o Estado, acrescentou.
Ulisses Correia e Silva detalhou o programa, que passa a estar disponível na Internet: entre as metas estão o aumento do salário médio em cerca de 30% ao longo da legislatura, atualizar o salário mínimo para 25.000 escudos (226,73 euros), universalizar o ensino pré-escolar e reduzir o imposto para empresas (IRPC) para 15% até 2031.
Tudo assente no crescimento da economia que o MpD apresenta como bandeira dos últimos 10 anos de governação, apesar dos desafios, referiu.
O candidato retomou a ideia do comício de abertura de campanha, na noite de quinta-feira, de que o Governo venceu adversidades (como uma seca severa ou a pandemia) que obrigaram a “grandes reajustamentos”.
Agora, pede “mais um mandato para consolidar” os ganhos, porque “os ciclos de desenvolvimento são mais longos que os ciclos políticos” e o objetivo é Cabo Verde “atingir o patamar de país de rendimento alto, com impacto na qualidade de vida”, crescendo mais do que 7% ao ano “de uma forma consistente”.
Em 2025, o Banco Mundial elevou a classificação de Cabo Verde de país de rendimento médio-baixo para médio-alto, refletindo um aumento do rendimento per capita.
Entre outras metas, o partido anuncia ainda um banco de fomento empresarial e uma aposta em agricultura inteligente com maior acesso à água, energia e tecnologia.
O programa antecipa ainda a inversão em curso da pirâmide etária: “daqui a 15 anos seremos um país menos jovem. Isso vai exigir mais cuidados, mais acesso à segurança social e à assistência médica e medicamentosa”, referiu.
O líder do MpD prevê formalizar a profissão de cuidador, “cada vez mais necessária para a população idosa, doentes crónicos e pessoas com deficiência” e uma forma de “gerar emprego”.
Ulisses Correia e Silva dedicou ainda parte da intervenção à democracia, “o maior ativo que o país tem”, dizendo que Cabo Verde não tem de “importar as más modas”, referindo-se a um “populismo” que, segundo disse, “já está no interior” do país.
As eleições legislativas no arquipélago estão marcadas para 17 de maio.
O MpD e o PAICV alternam-se no poder em Cabo Verde desde 1991 e detêm atualmente 38 e 30 deputados na Assembleia Nacional, respetivamente, enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) tem quatro e ambiciona quebrar a tradição de maiorias absolutas.
Sem representação parlamentar, o Partido Popular (PP) e o Pessoas Trabalho e Solidariedade (PTS) concorrem em seis dos 13 círculos eleitorais.
Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), foram validadas 48 listas de deputados de cinco partidos.
A ilha de Santiago elege 33 dos 72 deputados, cabendo outros 33 às restantes ilhas e seis à diáspora.
O número de eleitores deverá crescer cerca de 7% face a 2021, para cerca de 419.700 inscritos.
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