Legislativas 2026: MpD pede continuidade e PAICV promete governação “sem desculpas” na abertura da campanha. UCID pede “voto inteligente”

A campanha eleitoral para as legislativas de 17 de Maio arrancou na quinta-feira com os dois maiores partidos a apresentarem visões opostas para o futuro do país, em comícios realizados na cidade da Praia.

O presidente do Movimento para a Democracia (MpD) e actual primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, pediu aos cabo-verdianos “mais um mandato” para consolidar os resultados alcançados nos últimos dez anos de governação, enquanto o líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Francisco Carvalho, afirmou que o partido está “forte e preparado” para governar “sem desculpas”.

No comício de abertura da campanha do MpD, realizado no bairro de Achada Santo António, Ulisses Correia e Silva defendeu que Cabo Verde conseguiu superar dificuldades como a pandemia da covid-19 e que o país apresenta hoje melhores indicadores económicos e maior credibilidade internacional.

“Mais um mandato para consolidar os ganhos conseguidos até agora, porque quem aprende a atravessar o mar bravo está mais bem preparado”, afirmou o líder do MpD, numa referência aos desafios enfrentados durante os seus mandatos.

O primeiro-ministro recandidatou-se a um terceiro mandato à frente do Governo e fez um balanço do que classificou como “um Cabo Verde positivo”, destacando o crescimento económico, o aumento do turismo e os avanços sociais em áreas como saúde, educação e empreendedorismo.

Durante cerca de uma hora de discurso, Ulisses Correia e Silva acusou a oposição de ignorar os resultados alcançados e questionou a capacidade do adversário político para garantir estabilidade ao país.

“Uma coisa que nós não prometemos é que o ensino superior seja de graça. O nosso compromisso é aumentarmos as bolsas de estudo e a sua quantidade, porque queremos ter mais jovens com ensino superior”, disse, numa crítica indireta à proposta do PAICV de implementar universidade pública gratuita.

Os transportes interilhas, um dos principais temas do debate político atual, também marcaram o discurso do líder do MpD. Francisco Carvalho prometeu ligações marítimas a 500 escudos e passagens aéreas a 5.000 escudos, proposta que Ulisses Correia e Silva considerou inviável.

“Querem preços que põem a companhia no chão e que não viabilizam transportes. Nós queremos preços justos, viáveis, não de populismo, mas de realidade e com mais barcos e aviões para fazer ligações”, afirmou.

O líder do MpD acusou ainda Francisco Carvalho de utilizar a Câmara Municipal da Praia, que preside desde as autárquicas de 2024, como instrumento de combate político ao Governo central.

Numa metáfora final, comparou os dez anos de governação ao percurso de um carro que já arrancou e que não deve “voltar à primeira nem engatar marcha atrás”.

Antes da intervenção do primeiro-ministro, a ministra da Justiça, Joana Rosa, descreveu Ulisses Correia e Silva como “o bom capitão”, defendendo a estabilidade política como um recurso essencial para um país “que não tem ouro nem petróleo”.

Também Eurico Monteiro, ministro da Promoção do Investimento, criticou propostas que classificou como promessas “quase de graça”, considerando-as “isco para o voto”.

PAICV “forte e preparado” para governar

Do outro lado da cidade, o PAICV realizava igualmente o seu comício de abertura de campanha. Francisco Carvalho afirmou que o partido apresenta “propostas realistas” para resolver os problemas dos cabo-verdianos e garantiu que está preparado para assumir o Governo.

“A governação não é para os fracos, é para quem pode. Não se pode chegar ao Governo e dar desculpas. Estamos fortes e preparados para governar Cabo Verde sem desculpas”, declarou o líder da oposição.

O também presidente da Câmara Municipal da Praia defendeu medidas como a gratuitidade da universidade pública, melhor acesso à saúde, redução dos custos dos transportes interilhas e reforço do papel do Estado.

Segundo Francisco Carvalho, a criação de emprego será “o principal projeto” do partido, através da criação de melhores condições para o investimento privado e da redução da burocracia.

“Temos propostas pensadas e analisadas para Cabo Verde, com a convicção de que vão resultar. A governação só faz sentido se resolver os problemas dos cabo-verdianos”, afirmou.

O dirigente do PAICV criticou o executivo do MpD por alegados atrasos e incumprimentos de promessas.

“Já fizeram várias promessas, muitos voos, barcos, para enganar as pessoas. Mas isso é normal em quem diz que campanha é uma coisa e governação é outra”, disse.

Francisco Carvalho apelou ainda à mobilização dos militantes e simpatizantes até ao dia das eleições.

“Vamos trabalhar até ao dia 17. A partir daí vamos construir Cabo Verde com dignidade para todos”, declarou no encerramento do discurso.

O PAICV procura capitalizar a vitória alcançada nas eleições autárquicas de dezembro de 2024, nas quais conquistou 15 dos 22 municípios do país, incluindo a cidade da Praia, onde Francisco Carvalho venceu com 62% dos votos.

UCID apela ao “voto inteligente”

O antigo presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) António Monteiro apelou na noite de quinta-feira, 30 de Abril, ao “voto inteligente” nas eleições legislativas para trazer “melhor futuro, justiça, segurança e desenvolvimento” a São Vicente.

O apelo foi feito durante o comício/festa organizado pela UCID na zona de Pedra Rolada, no âmbito da campanha eleitoral para as eleições do dia 17.

Segundo a mesma fonte, o terceiro da lista encabeçada por João Santos Luís e que pretende renovar o mandato de deputado, São Vicente “pode fazer a diferença que o país e a ilha precisam”.

“É um voto capaz de trazer mais segurança para São Vicente, um voto inteligente capaz de trazer mais justiça, água, um voto inteligente para termos casas em qualidade e para exigirmos mais investimento na ilha”, enumerou António Monteiro.

A aposta na UCID nas legislativas será um passo, segundo Monteiro, e um crédito na regionalização, com vista a dar maior autonomia às ilhas.

Por consequência, disse acreditar que este voto de confiança irá “diminuir a burocracia”, para que as ilhas não dependam umas das outras para tomada de decisões.

A escolha dos cinco deputados em São Vicente, para este candidato nas lista da UCID, irá reforçar a presença no parlamento e o poder deste partido, que nas últimas legislativas foi a segunda força política mais votada na ilha.

“Temos quatro deputados da UCID no parlamento que são tratados como se fossem filhos de um deus menor”, considerou Monteiro. 

A campanha eleitoral decorre até 15 de maio. O MpD e o PAICV alternam-se no poder em Cabo Verde desde 1991 e detêm atualmente 38 e 30 deputados no parlamento, respetivamente, enquanto a UCID possui quatro assentos parlamentares.

Fora do parlamento, o Partido Popular (PP) e o Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS) concorrem em seis dos 13 círculos eleitorais.

Segundo a Comissão Nacional de Eleições, foram validadas 48 listas de cinco partidos para as legislativas de 17 de maio.

A ilha de Santiago elege 33 dos 72 deputados da Assembleia Nacional, enquanto as restantes ilhas elegem outros 33 e a diáspora seis representantes.

O número de eleitores deverá crescer cerca de 7% em relação às legislativas de 2021, para aproximadamente 419.700 inscritos, com o aumento mais significativo a verificar-se junto das comunidades emigradas.

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