Melhor não estamos”: para Miguel Sousa Tavares, este é o estado de um Portugal que é “grande amigo dos EUA e grande conivente com Israel

Há um problema em Portugal com o Governo, mas também com a oposição. Essa é a análise de Miguel Sousa Tavares, que também analisou a polémica com os exames nacionais ou ainda a questão da NATO

Nem aqueceu, nem arrefeceu. Miguel Sousa Tavares viu o debate do Estado da Nação e não encontrou quaisquer diferenças para os anos anteriores, até porque governo e oposição, independentemente de quem lá está, não mudam de posições.

“Não pode ser levado a sério enquanto virmos que a oposição não reconhece nada bem feito pelo governo, seja ele qual for, e o governo não reconhece que tenha feito nada de errado nem reconhece nenhuma razão às críticas da oposição”, apontou o comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), no seu habitual espaço 5.ª Coluna.

Passando à frente a “inutilidade” do debate, e já depois de sublinhar que um deputado do Chega o fez lembrar-se de “um discurso de [Benito] Mussolini, Miguel Sousa Tavares tem uma conclusão: “melhor não estamos”.

“Eu acho que podemos discutir se estamos melhor ou pior, mas melhor não estamos, certamente”, aponta o comentador da TVI, que vê uma ironia no facto de as pessoas acharem que estão a ser mal governadas, mas ainda assim não querem eleições.

Miguel Sousa Tavares entende que isso deriva do “massacre eleitoral” de várias eleições legislativas seguidas, mas também da aparente descrença dos portugueses na capacidade governativa da oposição, nomeadamente do Chega e do PS.

“Isto é mau, não é saudável para o nosso sistema democrático”, continua o comentador, que lamenta que a oposição faça o seu trabalho “sem convicção porque tem medo de ir a eleições”, o que deixa o Governo que, embora minoritário, “parece muito seguro porque sabe que não tem eleições num prazo de três anos”.

Perante o marasmo do debate, Miguel Sousa Tavares aponta a José Luís Carneiro uma “falta de carisma”, já que o secretário-geral do PS “não é capaz de ressuscitar um moribundo a quem prometesse mais 10 anos de vida, e isso em política paga-se”.

Pelo contrário, na ótica do comentador da TVI, o Governo vive num “claro desfasamento” entre o que é anunciado e o que está a acontecer verdadeiramente.

“Há coisas melhores, não sejamos injustos. O Governo baixou impostos, ou pelo menos não os subiu. O Governo aumentou o salário mínimo várias vezes, o salário médio subiu, o emprego mantém-se em números baixíssimos. Agora, esta mania do Governo de deitar abaixo tudo o que herdou e de estar sempre a falar da herança do Partido Socialista, e que afinal era tudo mentira, não é verdade”, realça Miguel Sousa Tavares, vincando a questão da dívida pública e das contas em ordem, algo que já vinha dos tempos de António Costa.

“A lição que fica é que é preciso olhar para as coisas com bom senso”, acrescenta Miguel Sousa Tavares, que lamenta o “desastre” na Saúde, uma pasta que o Governo tinha prometido resolver em seis meses.

“Na Habitação a mesma coisa, estamos com a taxa de subida de preços mais alta da Europa. Na política externa, que o Governo diz que prestigiou Portugal… É verdade que conseguimos eleger o membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, e eu nem sei como. Surpreendeu-me, porque o Governo foi tão seguidista de Israel, que é considerado pelos Estados Unidos como um aliado fidelíssimo, quando todos os outros aliados são desconsiderados, como é que conseguiu os votos suficientes para ser eleito, porque a imagem que damos hoje é que somos grandes amigos dos EUA e grandes coniventes com Israel”, reitera.

A polémica dos exames

Miguel Sousa Tavares começa por dizer que este não é um problema de Educação, mas de informática. O comentador da TVI sublinha que, pelo menos aparentemente, o que falhou foi a parte da empresa.

Podia ter-se feito o teste, defende, mas não foi feito e a situação “correu mal”, sendo que o ministro da Educação “podia ter tido mais cautela”.

Ainda assim, Miguel Sousa Tavares entende que a digitalização dos exames, quando estiver a funcionar em pleno, é um benefício para todos, desde logo por ser “mais económico e mais prático”.

Sobre as queixas de pais e alunos, o comentador da TVI diz que o facto de o processo ter corrido mal não coloca em causa a avaliação. A questão é antes a necessidade de haver quem queira resolver o problema.

“A mim o que me faz um bocado de impressão é que, no lugar de as pessoas tentarem resolver o problema, que haja, por exemplo, uma manifestação à espera do ministro, do sindicato S.TO.P. a dizer ‘ministro para a rua, ministro para a rua’, dá vontade de dizer ‘vocês vão classificar exames, que fazem lá falta mais professores’”, ressalva, falando de uma falta de união para combater um problema que “é urgente resolver”.

“O prazer é dizer que está tudo mal. É quase com prazer que eu vejo sindicatos e partidos a dizer ‘correu tudo mal, correu tudo mal’, em vez de ‘vamos ajudar a correr bem’”, acrescenta.

E Miguel Sousa Tavares fala do sindicato dos professores em concreto, acusando-os de nunca terem proposto medidas a favor dos alunos ou das famílias. “Só a favor de si próprios, é normal que proponham, mas nunca os vi preocupados com problemas da Educação”, termina.

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