Maternidade: Banco do Bebé é, «na maioria dos casos», o «único porto seguro» para mães as estrangeiras que acompanha, diz presidente da associação

Lilhiana Reis, de 22 anos, e Olívia de Ceita, de 21, de São Tomé e Príncipe, recebem apoio ao domicílio da associação criada há 35 anos 

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Lisboa, 02 mai 2026 (Ecclesia) – Mais de metade das famílias que o Banco do Bebé – Associação de Ajuda ao Recém-Nascido acompanhou ao domicílio, em 2025, eram estrangeiras e têm na instituição, na maioria dos casos, o único conforto no país, afirmou a presidente.

“Apoiámos no ano passado, no apoio domiciliário, 168 famílias, portanto, são 168 mães e destas, 40% eram portuguesas e 60% seriam estrangeiras”, afirmou Cristina Maltês à Agência Ecclesia.

“Acho que é uma curiosidade, é também um gosto, podermos trabalhar com esta diversidade que nos enriquece imenso 23 nacionalidades diferentes”, acrescentou.

Esta instituição Particular de Solidariedade Social, na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, dá resposta às necessidades de bebés de famílias carenciadas, desde o seu nascimento até aos 6 anos de idade.

Entre as áreas de intervenção está o apoio domiciliário que dá continuidade aos cuidados iniciados naquela Unidade, na fase pós-alta de prematuros ou recém-nascidos, onde se registam situações de deficiência e incapacidade temporária ou definitiva, ou em risco social.

Sobras as famílias estrangeiras, Cristina Maltês revela que são “variados” os motivos que as levam a ser referenciadas para apoio, nomeadamente a “carência económica”, a “inexistência da rede de apoio” ou “grande dificuldade de comunicação”.

“Temos muitas pessoas asiáticas, temos muitas pessoas africanas, temos algumas pessoas do norte da Europa, da América do Sul, mas eu diria que a maior expressão será mães de países africanos e asiáticos neste momento”, assinala a responsável, em declarações no âmbito do Dia da Mãe, que se assinala no domingo.

“Sentimos muito que, na maioria dos casos, somos o único porto seguro, o único colo, a única escuta para todas as preocupações. Sentimos que quer os técnicos, quer os voluntários, têm muitas vezes esse papel. Quase a única pessoa a quem a família pode recorrer e que, quando acontece alguma coisa de bom ou de menos bom, somos sempre os primeiros a saber, por norma”, destacou a presidente da associação.

Cristina Maltês dá conta que em abril deste ano o Banco do Bebé tinha recebido mais pedidos de ajuda em comparação a igual período no ano passado.

“Nós neste momento estamos desde janeiro já com 102 famílias em acompanhamento. Pois umas vão tendo alta, outras vão entrando”, indica.

Uma delas é a de Lilhiana dos Reis, de 22 anos, mãe de um menino de 5 meses, que começou a receber apoio da IPSS da Maternidade Alfredo da Costa ainda durante a gestação.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ; Lilhiana e o filho

Inês Lupi, voluntária do Banco do Bebé que acompanha a jovem no apoio ao domicílio, revela que no início começou por explicar as necessidades do recém-nascido, ajudar a preparar a casa para recebê-lo nas melhores condições e ajudar a fazer a mala de maternidade.

“E depois, quando o bebé chega a casa, é todo o acompanhamento, quer no ajudar a dar o primeiro banho, ensinar a fazer todos os cuidados que o bebé recém-nascido precisa”, contou.

Para Lilhiana dos Reis, Inês é como uma mãe, descrevendo-a como “muito delicada”, “humana” e “sentimental”.

Natural de São Tomé e Príncipe, a jovem chegou a Portugal aos 20 anos para estudar, mas depois de a inscrição falhar numa escola no Porto, começou a trabalhar, apaixonou-se e engravidou.

“Foi complicado. Foi complicado porquê? Porque eu deixei a minha terra, deixei os meus pais, para vir ter uma vida nova aqui. E depois, porque a vida não é como a gente pensa na novela”, lembra.

Hoje, Lilhiana vive em Loures com o namorado e espera que, no futuro, o filho tenha orgulho no caminho que percorreu.

Também de São Tomé e Príncipe, Olívia de Ceita, de 21 anos, é apoiada ao domicílio pelo Banco do Bebé, depois de ter sido mãe de gémeas prematuras, que nasceram aos cinco meses de gestação.

Olívia com o namorado Geritson e as filhas

“Não foi fácil. Nada fácil”, lembra a jovem que deu à luz Helena, com 920 gramas, e Heloísa, com 620 gramas, que ficaram no hospital durante alguns meses e regressaram a casa em tempos distintos.

Rita Calado, técnica de apoio domiciliário e educadora social no Banco do Bebé, explica que tanto Olívia como o companheiro Geritson são muito empenhados e honestos a dizer o que não sabem, não se inibindo de pedir ajuda.

“São aqueles pais que nos dá muito gozo mesmo trabalhar, que são pais que são muito recetivos à nossa ajuda e que juntos conseguimos, aos poucos, evoluir”, refere.

“As miúdas estão a evoluir muito bem, estão crescidas e eles não se sentem com muita insegurança. No início eram muito inseguros e nem dormiam, sempre com medo. Portanto, isso é muito, muito, muito gratificante”, indica.

O programa 70×7 do próximo domingo, transmitido no Dia da Mãe, na RTP2, apresenta testemunhos de mães estrangeiras em Portugal e o papel de associações como o Banco do Bebé e o Centro Padre Alves Correia, ficando depois disponível nas redes sociais da Agência ECCLESIA.

LJ/OC

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