Acrise de energia e água continua a agravar-se, com impactos diretos no quotidiano da população, que enfrenta há vários meses cortes frequentes e prolongados de eletricidade, além da escassez de água potável.
Segundo os cidadãos são-tomenses, a situação tornou-se “insustentável” tanto para as famílias, como para pequenos negócios e serviços públicos. Apesar da chegada de mais de uma dezena de geradores ao país nos últimos meses, o fornecimento de energia permanece irregular.
“Estamos há 10 meses a sofrer. Isto afeta tudo”, relata um cidadão, descrevendo as dificuldades diárias provocadas pela instabilidade no acesso a serviços básicos.
Governo pede desculpas enquanto crise se agrava
O primeiro-ministro, Américo Ramos, reconheceu recentemente a gravidade da situação.
“Eu quero pedir desculpas à população. Entendo que a situação é crítica, mas os esforços têm sido redobrados para encontrar uma solução viável. Brevemente teremos a situação resolvida”, afirmou.
A declaração foi feita após uma reunião convocada pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, com membros do Governo e responsáveis da Empresa de Água e Eletricidade (EMAE), para avaliar o setor energético.
Mesmo assim, as explicações não foram suficientes para dissipar o descontentamento, tendo em conta a duração e a intensidade da crise.
Origem da crise ligada a contrato com a Tesla STP
A atual crise energética agravou-se desde agosto do ano passado, quando a empresa de investidores turcos Tesla STP suspendeu o contrato de produção de eletricidade, alegando dívidas acumuladas por parte do Estado são-tomense.
O acordo, assinado em 2023 pelo Governo do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, tinha permitido alguma estabilização no fornecimento de energia. No entanto, viria a ser alvo de críticas e investigação.
O Tribunal de Contas identificou irregularidades no contrato, incluindo alegada sobrefaturação e isenções fiscais consideradas prejudiciais ao Estado, com prejuízos estimados em mais de 52 milhões de euros.
Segundo a auditoria, o acordo com a Tesla STP obrigava o país a pagar cerca de 500 mil euros mensais por uma capacidade contratual de 10 MW de energia, embora os geradores instalados produzissem apenas cerca de 4 MW.
O contrato previa ainda que o Estado fornecesse combustível para os geradores e, simultaneamente, a compra da energia produzida, o que gerou custos elevados e levantou dúvidas sobre a sustentabilidade e a legalidade da parceria com a empresa de capital turco.
“É preciso sermos realistas. Eu sei, eu lamento, a situação é crítica, mas nós temos de arranjar soluções duradouras”, afirmou o primeiro-ministro Américo Ramos, criticando o acordo assinado pelo Governo anterior com a empresa Tesla STP.
A Tesla STP não se pronunciou sobre a auditoria do Tribunal de Contas.
População reage à falta de serviços básicos
Apesar do pedido de desculpas do chefe do Governo, dezenas de cidadãos saíram na terça-feira (28.04) às ruas para protestar contra a crise energética e a falta de água potável.
O protesto começou junto à sede da Empresa de Água e Eletricidade(EMAE) e terminou no Palácio do Governo, com críticas à falta de soluções eficazes por parte das autoridades.
“Os sucessivos governantes não procuram uma forma concreta de resolver esta situação. Com a quantidade de água que cai do céu e os recursos que temos, deveríamos ter energia e água até para exportar”, afirmou um manifestante.
Outra participante reforçou o descontentamento: “Estamos revoltados com esta situação”, concluiu.
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