Marco Rubio pressiona por eleições na Venezuela – Brasil 247

247 – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (4) que os preparativos para a realização de eleições na Venezuela levarão algum tempo e exigirão paciência. Contudo, ele pareceu indicar que trabalha com uma perspectiva de realização de um pleito dentro de meses ou semanas.

“Acho que isso vai exigir persistência e um pouco de paciência — não anos, mas certamente alguns meses e semanas. Vai levar algum tempo para chegarmos lá”, disse Rubio a jornalistas, de acordo com declarações divulgadas pela agência Sputnik.

Os Estados Unidos receberam positivamente o anúncio da Venezuela sobre o início de um diálogo, apoiado por Washington, voltado à realização de futuras eleições, afirmou na segunda-feira (3) o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott.

No sábado (1), uma delegação da Assembleia Nacional controlada pelo governo, liderada por seu presidente, Jorge Rodríguez, e uma delegação da Assembleia Nacional de 2015, ligada à oposição e chefiada por Dinorah Figuera, realizaram uma conversa por telefone para lançar formalmente um diálogo político apoiado por Washington, que poderá estabelecer as bases para futuras eleições democráticas.

As partes concordaram em criar grupos de trabalho, que devem iniciar reuniões presenciais em Caracas ainda nesta semana. Segundo a Bloomberg, os encontros terão como foco a assistência às vítimas dos dois terremotos recentes, além de iniciativas para fortalecer a democracia, os direitos políticos e as garantias institucionais.

“Os Estados Unidos recebem positivamente as declarações de ontem da Assembleia Nacional de 2015 da Venezuela, liderada por Dinorah Figuera, e do governo interino”, afirmou Pigott em comunicado.

Segundo a nota, Washington apoia iniciativas lideradas por venezuelanos destinadas a atender às necessidades urgentes das pessoas afetadas pelos terremotos de junho, fortalecer as instituições democráticas, ampliar as liberdades políticas e promover um futuro mais estável e próspero para o povo venezuelano.

“Esse processo contribui significativamente para o plano de três fases apoiado pelos Estados Unidos para promover a estabilização, a recuperação econômica, a reconciliação política e uma transição para eleições democráticas”, afirma o comunicado, acrescentando que Washington está confiante de que esse trabalho produzirá resultados efetivos para a Venezuela.

Em entrevista recente à revista Time, a presidente venezuelana em exercício, Delcy Rodríguez, afirmou que a Venezuela realizará eleições quando estiver pronta.

“A Venezuela realizará eleições quando estiver pronta… Sinto que esse momento chegará quando todos os atores políticos do país chegarem a um entendimento e pudermos dizer à nação que nós, como políticos, estamos prontos”, declarou Rodríguez.

Comentando declarações da líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que acusou Rodríguez de fazer concessões a Washington para preservar o poder e garantir sua sobrevivência política, a presidente em exercício afirmou que sua intenção é “garantir que a política interna de outro país não afete a Venezuela”.

“Espero que a Venezuela não se torne um peão na agenda política de nenhum outro país”, disse.

Ao mesmo tempo, Rodríguez acrescentou que ainda não sabe se será candidata à Presidência.

Questionada sobre a possibilidade de permitir que Machado dispute a eleição presidencial, a presidente em exercício não descartou a possibilidade.

“Minha resposta é que haverá um momento político em que a convivência e a coexistência pacífica serão possíveis”, afirmou, acrescentando que “temos de avançar para uma nova era política”.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um grande ataque contra a Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O casal presidencial foi levado para Nova York para ser julgado com base na legislação americana sob acusações de “narcoterrorismo”. O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela transferiu temporariamente a Presidência para a então vice-presidente Delcy Rodríguez, que tomou posse perante a Assembleia Nacional.

Em outubro de 2025, Machado, que atualmente vive no exílio, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025 por seus alegados esforços em favor da promoção dos direitos democráticos na Venezuela. Em janeiro, a Reuters informou que ela entregou sua medalha ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um encontro na Casa Branca. Em 2024, Machado foi impedida de concorrer à Presidência da Venezuela.

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