Ideias Há Muitas – Enquanto A China Reinventa O Futuro, Portugal Discute O Passado

Segundo notícias recentes, a República Popular da China, considerada por muitos especialistas a grande superpotência do futuro nos campos económico, militar e científico, anda há vários anos a reestruturar o seu sistema educativo de nível superior. Estamos a falar de qualquer coisa como a revogação de mais de dez mil cursos de graduação, em diversas áreas do conhecimento, considerados obsoletos por não terem procura no futuro próximo. Na sua substituição, no entanto, foram criadas, em igual número, novas graduações focadas no futuro tecnológico e digital.
O programa exigiu imensas fusões institucionais e departamentais, remodelações curriculares e reafetação de professores e alunos a novas políticas. Mas tudo foi feito numa transição programada, em que contou mais o futuro da economia e o futuro de gerações de cidadãos do que os caprichos de poder de cada um ou os egos intelectualizados dos lentes catedráticos.
Isso aconteceu na China, como poderia ter acontecido na Finlândia, se já não está a acontecer. Agora, alguém se atreva a fazer o mesmo em Portugal, ou nos Açores? Provavelmente, não!
Enquanto em Portugal discutimos iniquidades sem importância alguma, outros países posicionam-se para vencer os desafios da economia global. Um exemplo do que digo é a discussão em torno da localização do novo aeroporto de Lisboa, tão necessário para o desenvolvimento do país como o pão para a boca. As gentes da direita, em vários governos, quiseram sempre acelerar o processo, mas as gentes da esquerda atrasaram-no sucessivas vezes, seja pela via política, seja pela via parlamentar, seja pela via comunicacional, num método de pura confrontação política que mais tarde se arrasta pelas ruas da capital – sublinho, da capital – e que não tem reflexo nas outras cidades do país.
Por essa via, Portugal vive demasiado centrado em Lisboa. As dores do país, se não chegam à capital, é como se não existissem. Por vezes, lá vem alguém ao Terreiro do Paço berrar, reivindicando justas decisões para o desenvolvimento do país. E, invariavelmente, é ignorado por detrás das vidraças cristalinas dos ministérios.

Luís Soares Almeida
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