A relação entre samba, ancestralidade, identidade negra e resistência estará no centro da participação da historiadora e geógrafa Mônica Faria na primeira edição internacional do Congresso Nacional do Samba (CONASAMBA), que ocorre neste sábado (12) e domingo (13), em Montevidéu, no Uruguai.
Com uma trajetória que reúne pesquisa histórica, educação e vivência no Carnaval, Mônica integra a programação do primeiro dia do congresso, dedicado ao eixo político.Especialista em Relações Étnico-Raciais, Legislativo e Democracia no Brasil e Docência Superior, Mônica atua na área de Educação no Estado de São Paulo e é fundadora da Iroko Educacional, além de integrar o Conselho Editorial da Revista Raça.
Pesquisadora de História Antiga, com especial interesse por Kemet, e estudiosa das tecnologias ancestrais, sua atuação parte da perspectiva de valorização dos conhecimentos africanos e afro-brasileiros e da construção de novas narrativas sobre a história e a contribuição da população negra.
É também no Carnaval que parte dessa trajetória encontra expressão. Mônica mantém uma relação histórica com o universo do samba, tendo participado de processos ligados à criação carnavalesca. Sua vivência no Carnaval inclui ainda a experiência como Rainha do Carnaval de São Paulo, posição que ampliou sua relação com uma manifestação cultural que ultrapassa o espetáculo e se conecta diretamente à história da população negra brasileira.
É a partir dessa perspectiva que ela participa da primeira mesa do CONASAMBA, no sábado (12), das 11h às 13h, com o tema “As raízes do samba, do Carnaval, ancestralidade, a força das mulheres”. O painel será mediado por Niusa da Silva e reunirá também Anabel de Matteis, Doris Piriz, diretora de Gênero da Intendência de Canelones, e Andrea Álvarez, do Uruguai.
Leia mais: São Paulo muda nome de rua para homenagear história do samba na cidade
A presença de Mônica ratifica a discussão proposta pelo congresso ao colocar em evidência a dimensão histórica e social do samba e do Carnaval no Brasil e países vizinhos. A partir de sua formação como historiadora e de sua atuação na área de relações étnico-raciais, a pesquisadora contribui para uma reflexão sobre como manifestações culturais negras foram preservadas, transformadas e ressignificadas ao longo do tempo.
“Falar sobre as raízes do samba é também falar sobre memória, resistência e sobre os conhecimentos que foram preservados mesmo diante das tentativas históricas de apagamento. O Carnaval é uma expressão cultural que carrega muitas dessas histórias e precisamos compreender quem são os sujeitos que construíram e continuam construindo essa manifestação”, afirma a painelista.
Realizado pela Print9 Tintas Especiais em parceria com a Federação Nacional do Samba (Fenasamba), o CONASAMBA ocorrerá no Museo del Carnaval de Montevidéu, que completa 20 anos em 2026, e integra as comemorações do espaço dedicado à preservação da memória carnavalesca uruguaia.
Durante os dois dias, a programação reúne debates sobre ancestralidade, participação das mulheres, organização, gestão e profissionalização do Carnaval, além de apresentações culturais de escolas de samba uruguaias.
Leia mais: Conheça o samba que acontece embaixo de um viaduto em Salvador
Crédito: Link de origem