Guterres condena recente ataque “implacável” de gangues no Haiti

“Os ataques implacáveis de gangues contra comunidades e a perda de vidas sublinham as condições de segurança alarmantes no Haiti e reforçam a necessidade urgente de intensificar os esforços de segurança haitianos e internacionais para combater os gangues”, afirmou o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, ao condenar o ataque perpetrado na noite de domingo.

Guterres reiterou o seu apelo às autoridades haitianas para que garantam que os perpetradores sejam responsabilizados, incluindo através das unidades judiciais especializadas, recentemente criadas com apoio internacional para investigar crimes de larga escala.

De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 47 pessoas foram mortas e mais de 50 sequestradas após homens armados atacarem uma comunidade antes pacífica perto da capital do Haiti, Porto Príncipe.

Informações apontam que este poderá ser um dos maiores sequestros em massa registados no Haiti nos últimos anos.

Os agressores, supostamente membros do grupo criminoso Viv Ansanm, tentaram tomar o controlo do centro da cidade e incendiaram várias casas ao longo do caminho.

O líder do grupo armado ameaçou assassinar os reféns caso as autoridades matassem algum membro do gangue enquanto tentam garantir a segurança da comunidade.

Pelo menos cinco das 47 pessoas mortas eram crianças, segundo a ONU.

O autarca de Kenscoff, Jean Masillon, classificou os ataques como um “massacre”.

“Este é um grande teste político e de segurança, tanto para o Governo quanto para a polícia e para a missão internacional [destacada no Haiti]”, disse, por sua vez, o chefe do Observatório do Haiti na Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional, Romain Le Cour.

Le Cour explicou que a ameaça de executar reféns é uma armadilha: se as forças de segurança não agirem, terão falhado em protegê-los; se agirem e os reféns morrerem, os gangues culparão o Estado.

O ataque de domingo em Kenscoff abalou o otimismo de que a segurança no conturbado país das Caraíbas estava a melhorar.

Segundo o Gabinete Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH), durante o primeiro trimestre do ano, a violência fez pelo menos 1.642 mortos e 745 feridos.

O Haiti é considerado um dos países mais pobres da América Latina e atualmente vive uma grave crise social, política, económica e, sobretudo, de segurança, nomeadamente devido à ação de gangues criminosos.

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