Crianças abandonadas por soldados estrangeiros enfrentam pobreza e preconceito no Haiti – Record

Mais de 67% da população do Haiti vive com menos de US$ 4,20 por dia, segundo o Banco Mundial. Em um país marcado pela pobreza, pela violência e pela instabilidade, mulheres que afirmam ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos por soldados brasileiros carregam consequências que permanecem anos depois do fim da missão de paz das Nações Unidas. 

O Repórter Record Investigação mostra relatos como o de Ovila, que foi violentada por um soldado brasileiro aos 17 anos. As vítimas residiam próximas às bases militares, onde frequentemente ocorreram os abusos.  

Em Cité Soleil, uma das regiões mais pobres e violentas de Porto Príncipe, outra mulher afirma ter sido abusada por um soldado brasileiro quando ainda era muito jovem. Maranatha tem deficiência auditiva e intelectual e não sabe precisar a própria idade. Ela se lembra, porém, de ter sido violentada quando ainda estudava. 

Durante os 13 anos de atuação da missão Minustah no Haiti, desastres naturais como o terremoto de 2010 agravaram a situação já difícil. Estudos indicam que existem pelo menos 265 filhos de soldados estrangeiros e mulheres haitianas, conhecidos como “filhos da Minustah”. Eles sofrem preconceito e as mães enfrentam dificuldades extremas para sustentá-los.

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