Ville Bois Colombes – Foi apresentado nesta segunda-feira perto de Paris um livro branco que oferece uma análise jurídica independente sobre a crise política na Guiné-Bissau. Saïd Larifou, Presidente do Instituto de Direito Internacional Africano e da Boa governação foi um dos principais intervenientes neste fórum.
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O Instituto do Direito Internacional Africano e da Boa Governação apresentava esta segunda-feira o chamado “Livro branco sobre a crise eleitoral e institucional da República da Guiné-Bissau”, elaborado após a interrupção do processo eleitoral para a presidência em 2025,
Num comunicado de imprensa, os autores explicam que a detenção, na semana passada, de Domingos Simões Pereira, antigo primeiro-ministro e principal líder da oposição, tornou esta iniciativa ainda mais pertinente.
Este livro pretende também apelar às instituições internacionais, como a União Africana, as Nações Unidas e a União Europeia, para favorecer uma solução conforme aos valores do Estado de Direito, da democracia e dos direitos humanos.
De realçar que a CEDEAO, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, tem uma cimeira agendada para o próximo domingo na Serra Leoa.
Um dos intervenientes foi o advogado Saïd Larifou, que integra a equipa interncional de defesa do também presidente eleito do parlamento guineense.
Flávio Baticã Ferreira, deputado do PAIGC eleito pela diáspora, deplora a situação de crise em que está mergulhado o seu país.
É um livro que espelha a crise da Guiné-Bissau, que começou em Novembro de 2025, quando os militares decidiram, sem motivos nenhum, interromper o processo eleitoral e ocupar o poder. É verdade que já havia instabilidade política na Guiné-Bissau durante o mandato de Umaro Sissoco Embaló, mas, apesar de tudo, ele era ainda Presidente da República. Mas estes senhores militares golpistas que assumiram o poder, não têm legitimidade nenhuma e, sobretudo, propôr um referendo, mudando a Constituição da República da Guiné-Bissau sem competência nenhuma. Nós achamos injusto ! E esse livro vem espelhar todas as crises, consequências da proibição de manifestações de reuniões, de prisões arbitrárias que está a acontecer na Guiné-Bissau. Deve-se a esse golpe de Estado militar que aconteceu em Novembro de 2025.
Flávio Baticã Ferreira, deputado do PAIGC diáspora, 13/7/2026
Por seu lado Francisco de Sousa Graça, presidente do PAIGC em França, apela à acção da comunidade internacional, para se sair da crise em que a Guiné-Bissau está mergulhada desde o golpe de Estado de Novembro do ano passado e lembra os objectivos deste chamado “Livro branco”, agora apresentado.
O objectivo é que haja recomendações para a cimeira da CEDEAO, que vai acontecer no domingo. E também para a União Europeia que vai se reunir na quarta-feira. Essas recomendações também devem ser dirigidas a essa sessão, que vai se realizar na quarta-feira.
Então, isso mostra que nós queremos que a comunidade internacional faça a sua parte no que diz respeito a Guiné-Bissau, porque cá na diáspora nós andamos a fazer trabalhos a nível diplomático, a nível jurídico.
Temos juristas que estão a trabalhar, como é o caso do Doutor Larifou. Temos um conjunto de juristas na Europa e na África que estão a trabalhar neste sentido. Então esse livro vai ainda dar recomendações à comunidade internacional para que possa agir da melhor maneira, para que haja justiça na Guiné-Bissau, para o retorno da ordem constitucional. A dita comunidade internacional, não estamos a ver nada do que estão a fazer, seja a ONU, seja a CPLP, seja a União Europeia, a União Africana. O povo da Guiné o que está a espera é as sanções.
Francisco de Sousa Graça, PAIGC França, 13/7/2026
Mateus Santa Rita
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