Governo quer contrariar tendência de importação de tecnologia crítica com IA Amália – Última Hora


O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, quer contrariar a tendência de importação de tecnologia crítica e construir uma infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) nacional disponível para utilização por todo o ecossistema.





Amália é o primeiro sistema de inteligência artificial português
JOSÉ SENA GOULÃO | LUSA


Na sessão de apresentação do Amália, esta quarta-feira, dia 1, o grande modelo de linguagem (Large Language Model — LLM) português, o governante afirmou que “o Amália não é um projeto isolado, é uma peça de uma estratégia ampla de transformação digital que o Governo está a concretizar”.


“O Estado desenvolve a infraestrutura, a sociedade cria valor sobre ela, ao contrário dos modelos proprietários, cuja evolução depende exclusivamente de grandes empresas tecnológicas, o Amália constitui uma infraestrutura nacional de inovação que fica hoje disponível para todo o ecossistema”, disse o governante.


Gonçalo Matias referiu também a questão de soberania, convicto de que o modelo aberto (‘open source’) Amália representa uma solução que garante a segurança dos dados dos cidadãos, das empresas e do Estado. “A soberania digital, porque à medida que aumentamos a digitalização da nossa economia e da nossa sociedade, é preciso garantir o controlo e a soberania sobre os dados dos nossos concidadãos que colocamos no mundo digital”, disse.


A estratégia do projeto, de acordo com o ministro, consiste em três pilares, nomeadamente a Estratégia Digital Nacional, o Pacto para as Competências Digitais e na Agenda Nacional para Inteligência Artificial, que em conjunto com o Plano Nacional de Centro de Dados e com a ‘Cloud’ Soberana Portuguesa “criam as condições para que Portugal seja um dos países europeus mais competitivos na economia digital”.


“Ao conjugarmos estas infraestruturas com a inteligência artificial, abrimos também caminho a uma nova geração de serviços públicos”, asseverou.

Amália pode ser descarregado no Gov.pt


O modelo vai pode ser descarregado em Gov.pt e conta com nove mil milhões de parâmetros, sendo objetivo chegar aos 22 mil milhões, aumentado a sua capacidade, disse à Lusa o presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE), Manuel Dias.


Quanto maior o número de parâmetros, melhor o desempenho e qualidade do modelo de Inteligência Artificial (IA), sendo que estes representam as regras internas e a capacidade de memória do modelo.


“O modelo Amália tem 9 mil milhões de parâmetros e vai evoluir para chegar aos 22 mil milhões de parâmetros, o que já nos permite uma precisão e uma ‘performance’ e uma capacidade resistente substancial”, disse à Lusa o Diretor de sistemas de informação (CTO) do Estado e presidente da ARTE.


O Amália poderá ser acedido através do ‘site’ do Gov.pt, que redirecionará para o Hugging Face (‘software’ de desenvolvimento de aplicações) onde será possível descarregar o modelo.


“Vou ao portal ia.gov.pt, lá tenho o ‘link’ para o Hugging Face, onde eu posso, qualquer empresa, qualquer cidadão, qualquer entidade, pode descarregar o modelo e usá-lo a nível comercial, porque ele tem uma licença Apache 2.0”, afirmou o CTO do Estado.


“Este modelo já foi validado com quatro entidades, como vocês viram, museus e cultura, ciência, media, educação. O modelo agora está aberto, nós estamos do lado da arte a colocá-lo ao serviço do cidadão, a colocá-lo no GovPT e na aplicação GovPT e agora qualquer empresa pode tirar partido deste modelo e desenvolver soluções em cima do modelo”, acrescentou.




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