Acordo Japão-Mercosul pode atrair tecnologia – Times Brasil

O acordo de parceria econômica entre Mercosul e Japão pode ampliar o fluxo de comércio entre os dois mercados, diversificar parceiros estratégicos e abrir espaço para a transferência de tecnologia à indústria brasileira, afirmou nesta quinta-feira (2) Ronaldo Felix, especialista em comércio exterior e sócio da Saygo Comex, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“O principal objetivo é melhorar o fluxo de negócios entre as duas regiões e reduzir a dependência dos grandes eixos comerciais, como Estados Unidos e China. O Japão busca ampliar o consumo de alimentos, minerais e produtos químicos, enquanto o Mercosul pode ganhar acesso não apenas à tecnologia japonesa, mas também ao conhecimento em veículos híbridos e elétricos, robótica e automação industrial”, afirmou.

Segundo o especialista, o Brasil chega às negociações em posição privilegiada por concentrar aproximadamente 93% das exportações do Mercosul para o mercado japonês e cerca de 77% das importações do bloco provenientes do país asiático.

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Qualidade como diferencial

Na avaliação de Ronaldo Felix, a relação comercial com o Japão apresenta características diferentes das observadas com a China.

“A China prioriza volume e preço. O Japão valoriza qualidade e produtos com maior valor agregado. Isso permite margens melhores para os exportadores brasileiros, mas exige padrões técnicos, sanitários e de qualidade extremamente elevados, muito próximos aos adotados pela Europa”, explicou.

Ele destacou que o interesse japonês está concentrado principalmente em contratos de longo prazo para garantir o fornecimento de insumos considerados estratégicos.

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“O Japão busca estabilidade no abastecimento de carnes, especialmente proteína bovina, além de minérios utilizados na produção de semicondutores e baterias. Por outro lado, o Brasil precisa garantir que o acordo também traga transferência de tecnologia e não apenas a importação de produtos industrializados”, disse.

Negociação de longo prazo

Para o especialista, as negociações devem avançar lentamente devido às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado japonês.

“Essa fase de consulta pública é fundamental porque define questões como rastreabilidade, compliance e normas técnicas. Da mesma forma que o Brasil protege sua indústria, o Japão também protege seus produtores locais, especialmente no agronegócio”, afirmou.

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Segundo Ronaldo Felix, os primeiros resultados concretos da parceria devem surgir apenas no médio prazo.

“Acredito que os efeitos práticos do acordo comecem a aparecer em dois ou três anos. O setor de celulose tende a ser um dos primeiros beneficiados, enquanto, nas importações, a prioridade deve ser dada a equipamentos de automação industrial, evitando uma abertura acelerada para bens de consumo que possam prejudicar a indústria nacional”, concluiu.

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Cauê Rigamonti

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