Por Evelyn Ludovina
Durante o tradicional Banho de São João de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, moradores levaram ao Rio Paraguai um andor com a frase “Ferrovia Sim, Hidrovia Não!”, transformando uma das mais antigas celebrações populares do Centro-Oeste em palco de manifestação contra a nova concessão da hidrovia proposta pelo Governo Federal. O ato ocorreu durante a festa, realizada há mais de 140 anos e reconhecida como patrimônio cultural brasileiro.
O protesto ganhou ainda mais simbolismo por acontecer justamente na principal manifestação cultural ligada ao Rio Paraguai. Anualmente, milhares de fiéis conduzem a imagem de São João até as águas do rio, reforçando uma relação histórica, espiritual, econômica e afetiva entre a população de Corumbá e o Pantanal.
A mobilização questiona o projeto de ampliação da Hidrovia do Rio Paraguai, apoiado pelos governos federal e estadual, que prevê intervenções como dragagens permanentes para ampliar o transporte de minério de ferro e commodities agrícolas. Pesquisadores, organizações ambientalistas e o Ministério Público Federal alertam para os possíveis impactos sobre a dinâmica natural das cheias e os ecossistemas pantaneiros.
O movimento defende que o escoamento mineral seja feito por meio da ferrovia já existente até Corumbá, atualmente considerada subutilizada, evitando a transformação do Rio Paraguai em um corredor industrial. A campanha vem sendo articulada pela comunicadora corumbaense conhecida como Corumbainha, por meio da mídia independente FQ Sabendo, com apoio de pesquisadores, organizações e coletivos ligados à preservação do Pantanal.
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