Sem avançar datas, o governo moçambicano anunciou que vai proceder ao ajustamento gradual dos preços dos combustíveis no país. O anúncio foi feito pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, durante a sessão parlamentar na qual o executivo esteve a responder, ontem e hoje, às perguntas colocadas pelos deputados das bancadas dos partidos Frelimo, que suporta o governo, Podemos, Renamo e MDM na oposição.
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“A escalada no Médio Oriente que se vem registando desde finais do mês de Fevereiro do presente ano está a afectar os mercados energéticos, o transporte marítimo, e as cadeias globais de abastecimento, tendo em conta que é nesta região que ocorre parte significativa da produção e exportação global do petróleo e gás natural”, começou por explicar a chefe do governo.
“Desde logo, os mercados internacionais reagiram rapidamente com o preço do petróleo a ultrapassar os 100 Dólares por barril, uma situação que se verifica até aos dias de hoje. Dada a imprevisibilidade do conflito no Médio Oriente, prevê-se a manutenção desta tendência de subida dos preços de combustíveis. Moçambique sendo um país importador líquido de combustíveis e, tendo em conta esta conjuntura internacional, é inevitável que não faça o ajustamento gradual dos preços deste produto a nível nacional”, disse Benvinda Levi dirigindo-se ontem aos parlamentares.
Ao reiterar ainda “a exortação no sentido de todos continuarmos a acompanhar com serenidade a evolução da situação e abstermo-nos de propagar mensagens que possam gerar pânico na sociedade”, a chefe do governo lembrou que o executivo pretende implementar medidas multissectoriais para mitigar a situação.
Durante esta mesma sessão, o Ministro da Economia, Basílio Muhate, explicitou nomeadamente que o governo moçambicano pondera subsidiar o transporte público de passageiros para minorar os impactos da crise de combustíveis.
“O Governo pretende utilizar mecanismos de estabilização financeira como subsídios ou compensações aos operadores para evitar aumentos de grande vulto para as famílias. Esta abordagem garante que a população mais vulnerável mantenha acesso ao transporte e a produtos essenciais sem sofrer muito impacto imediato desta crise de abastecimento”, indicou o ministro da Economia respondendo aos deputados.
Referindo-se à afluência “anormal” aos postos de combustíveis em Maputo, o governante constatou que “a venda de combustível informal tornou-se uma grande oportunidade, de tal forma que a afluência popular aos postos de abastecimento com bidons de cinco a 20 litros é visível em todo o lado. A título de exemplo, os postos que vendiam 40 mil litros por semana, hoje estão a vender os mesmos 40 mil litros em menos de 24 horas. A logística de distribuição não está preparada para o abastecimento às bombas todos os dias. Os navios estão a descarregar, mas a disponibilidade de divisas também limita a importação para períodos reduzidos”.
Perante esta situação, Basílio Muhate referiu que o governo reforçou a fiscalização para estancar o açambarcamento e proibiu a actividade de reexportação do combustível doméstico.
Todavia, do lado dos operadores económicos, expressa-se uma crescente frustração.
No âmbito da 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique, em Maputo, o vice-presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Onório Manuel, disse que “a falta de combustível cria transtornos, mas também está-se a começar a ter escassez de mobilidade de pessoas e bens e para a chegada de matéria-prima das empresas, para a chegada de funcionários. E sem estes bens, sem estas pessoas na empresa, não é possível funcionar”.
O responsável do sindicato do patronato moçambicano adiantou ainda que estão actualmente a decorrer conversações com as autoridades moçambicanas no sentido de compreender os motivos da crise de abastecimento que se verifica há várias semanas no país.
“Nós estamos a fazer contacto e percebemos que há combustível no país. A questão fundamental que se tem de se esclarecer é porque é que os combustíveis não estão a chegar às bombas? Essa é a questão que nós também, como sector privado, não entendemos”, insistiu Onório Manuel tecendo advertências sobre as consequências nefastas que um prolongamento da crise poderá ter sobre as empresas do país.
Refira-se de acordo com dados divulgados hoje pelo Standard Bank, a produção das empresas moçambicanas diminuiu em Abril, num contexto de “diminuição das vendas, a escassez de combustível e outros constrangimentos no abastecimento”, que “fizeram com que as empresas nacionais reduzissem os seus níveis de actividade”.
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