Foz prepara ofício diante da crise na saúde do Paraguai e do risco de sobrecarga – Rádio Cultura Foz – AM 820

A crise na saúde pública do Paraguai passou a ser acompanhada com preocupação pela Secretaria Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu. Diante do agravamento da situação no país vizinho, o município prepara um ofício circular que será encaminhado a instâncias de governança brasileiras para que, se necessário, os órgãos competentes acionem seus pares paraguaios. A informação foi confirmada à Rádio Cultura pelo secretário de saúde, Fábio de Mello.

Segundo o secretário, ainda é cedo para afirmar se a crise já provocou aumento da procura por atendimento em Foz. Ele explicou que o movimento nas unidades pode variar ao longo da semana e que, caso exista uma demanda fora do padrão relacionada à situação no Paraguai, os reflexos deverão ser percebidos nos próximos dias. A preocupação ocorre em um momento em que a rede de Foz já enfrenta episódios recorrentes de superlotação.

O alerta aumentou nesta segunda-feira (31), após a confirmação de que 12 dos 13 médicos intensivistas pediátricos do Hospital Regional de Ciudad del Este apresentaram renúncia. A medida faz parte de uma mobilização nacional de especialistas paraguaios após o fracasso das negociações com o governo sobre reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

A crise já vinha se agravando nos últimos dias. Médicos do Hospital Regional participaram de protestos em Ciudad del Este e chegaram a marchar em direção à Ponte da Amizade. Os profissionais reivindicam, além de reajuste salarial, melhores condições de trabalho, fornecimento adequado de medicamentos e insumos e regularização de vínculos considerados precários.

Também circularam vídeos e imagens feitos por profissionais dentro do Hospital Regional de Ciudad del Este mostrando problemas estruturais e dificuldades enfrentadas no atendimento. As denúncias reforçaram a preocupação com a capacidade da rede pública do Alto Paraná em absorver a demanda caso a crise se prolongue.

Do lado brasileiro, Foz do Iguaçu já convive com pressão sobre a rede de urgência e emergência. Hospital Municipal e outras unidades registraram episódios de ocupação acima da capacidade ao longo do ano, o que faz com que qualquer aumento inesperado na procura seja acompanhado com atenção pela Secretaria de Saúde.

Fábio de Mello informou que não houve reunião direta com autoridades paraguaias porque a questão envolve relações interfederativas. Por isso, a estratégia do município é encaminhar o documento às instâncias brasileiras competentes, para que elas façam a interlocução institucional com o Paraguai.

O ofício está em fase final de elaboração e deve ser enviado aos e-mails institucionais dos órgãos responsáveis. A medida busca antecipar possíveis impactos sobre Foz caso o agravamento da crise no sistema público paraguaio resulte em maior procura por atendimento do lado brasileiro da fronteira.

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