Os Estados Unidos concederam nesta terça-feira (5) permissão para que a Venezuela contrate assessores financeiros para iniciar a reestruturação de sua dívida, um passo importante que pode permitir ao país emergir de décadas de estagnação econômica.
O Departamento do Tesouro vem flexibilizando as sanções contra a Venezuela após a deposição, no início deste ano, de Nicolás Maduro, seu ex-líder.
Na terça, o órgão dos EUA emitiu uma licença geral que permitirá à Venezuela iniciar o processo de pagamento de aproximadamente US$ 60 bilhões em títulos inadimplentes devidos pelo governo e por sua estatal de petróleo. A Venezuela deve cerca de US$ 170 bilhões a investidores ao redor do mundo em todos os tipos de dívida, incluindo empréstimos comerciais e juros.
A Venezuela agora pode começar a contratar consultores, advogados e banqueiros enquanto se prepara para reestruturar suas dívidas, que incluem bilhões de dólares em indenizações não pagas a empresas petrolíferas como Exxon Mobil e ConocoPhillips.
Desde a queda de Maduro, os Estados Unidos assumiram o controle da indústria petrolífera venezuelana. O presidente Donald Trump tem instado gigantes do petróleo americanos e europeus a investir pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela.
O governo Trump afirmou que começou a enviar milhões de dólares em receitas de petróleo ao governo da Venezuela. No entanto, ainda não está claro exatamente para onde esse dinheiro está indo e como está sendo utilizado.
Reconstruir apenas a indústria petrolífera pode custar mais de US$ 180 bilhões e levar mais de uma década, segundo analistas da Rystad Energy, uma empresa de pesquisa. Mesmo assim, o país produziria menos do que em seu auge nos anos 1990.
O Atlantic Council estimou em uma análise no início deste ano que a Venezuela precisará de reduções substanciais da dívida de 50% ou mais para evitar um ciclo de inadimplências e atrair investimento estrangeiro. Tais descontos podem ser difíceis de obter, já que grande parte da dívida venezuelana é devida à China e à Rússia.
Os Estados Unidos têm instado o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) a retomarem o engajamento com a Venezuela enquanto o país embarca em sua reconstrução econômica. No mês passado, ambas as instituições anunciaram que começariam a trabalhar com a Venezuela e sua nova líder, Delcy Rodriguez, pela primeira vez desde 2019.
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