Venezuela apura ação policial contra frequentadores de local LGBT+

Por que dados econômicos não refletem tão bem a discriminação contra a população LGBTQIA+

O Ministério Público da Venezuela abriu uma investigação sobre uma operação policial realizada neste sábado, 30, em um estabelecimento voltado ao público LGBT+ na cidade de Barquisimeto, no oeste do país. Segundo organizações de direitos humanos, cerca de 30 homens foram detidos após serem acusados por agentes de cometer o “crime de homossexualidade”.

A ação ocorreu no sábado e foi denunciada pelo Observatório Venezuelano de Violências LGBTIQ+, pelo Caleidoscopio Humano e pelo Movimento SOMOS. Em comunicado conjunto, as entidades afirmaram que policiais à paisana invadiram o local, realizaram detenções e praticaram atos de extorsão.

De acordo com o relato das organizações, os agentes justificaram a abordagem alegando que as pessoas presentes estariam “cometendo o crime de homossexualidade”. Ao menos 33 homens teriam permanecido detidos por cerca de dez horas durante a operação.

Organizações denunciam que 33 homens foram mantidos sob custódia por horas e acusados de cometer o “crime de homossexualidade”; cinco agentes serão levados à Justiça Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters

As entidades classificaram a ação como discriminatória e afirmaram que os detidos foram submetidos a humilhação pública, com exposição de sua orientação sexual a familiares e amigos.

Poucas horas após a denúncia, o Ministério Público informou a abertura de uma investigação criminal para apurar a suposta invasão do estabelecimento e a prática de atos contrários à ética pública. Segundo o órgão, cinco policiais serão apresentados à Justiça.

A Venezuela não possui legislação que reconheça o casamento entre pessoas do mesmo sexo nem mecanismos legais para a mudança de identidade de gênero. Organizações de direitos humanos denunciam há anos episódios de discriminação e violência contra a população LGBT+, inclusive envolvendo agentes do Estado.

Segundo as três organizações, o caso se insere em um padrão mais amplo de criminalização da comunidade LGBT+ no país, com ao menos seis estabelecimentos invadidos e detenções arbitrárias motivadas por expressão de gênero ou relacionamentos homoafetivos. Situação semelhante foi registrada em 2023, em Valencia, no estado de Carabobo, quando 33 homens foram detidos em um spa privado — ação que ativistas classificaram como “homofobia de Estado”./com informações de AFP

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