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Quase 2,5 quilómetros de estradas pré-colombianas apresentam traços típicos da civilização inca. Estão na margem oposta aos mais de 60 monumentos classificados como Património da UNESCO.
Uma equipa de arqueólogos descobriu cerca de 2,4 quilómetros de estradas pré-colombianas, escondidas sob a densa floresta tropical nas proximidades de Machu Picchu, no Peru.
As vias, segundo um comunicado da Universidade de Varsóvia, conduzem a plataformas e socalcos junto ao chamado Muro de Mandor, e podem vir a obrigar os investigadores a rever algumas das ideias sobre a organização e a função do complexo inca.
A descoberta foi feita com a ajuda de tecnologia LiDAR, que permite mapear o terreno coberto por vegetação cerrada. As estradas situam-se a quase 2400 metros de altitude, nos Andes, e ligam diferentes estruturas localizadas em frente a Machu Picchu.
O local classificado como Património Mundial pela UNESCO integra um parque arqueológico onde já são conhecidos mais de 60 monumentos ligados por uma rede de caminhos. Até agora, grande parte das estruturas satélite identificadas encontrava-se na margem esquerda do rio, o que levou os investigadores a considerar que era nessa zona que os Incas tinham concentrado os seus esforços de planeamento. Mas a recente descoberta destas estradas mudará tudo.
Um dos troços agora identificados, com cerca de 1,2 quilómetros, exibe o típico traçado em ziguezague das vias incas. Para os arqueólogos, a presença das estradas na outra margem mostra que uma área bastante mais vasta sofreu importantes transformações durante o período inca e reforça a ideia de que Machu Picchu fazia parte de um sistema territorial ainda mais complexo do que se pensava.
Os investigadores esperam num futuro próximo encontrar provas que permitam confirmar que o troço foi construído durante o período de utilização de Machu Picchu, há cerca de 600 anos.
As estradas conduzem também a novas plataformas e socalcos perto do Muro de Mandor. A ligação entre estas estruturas leva a equipa a considerar também que a função sagrada associada a Machu Picchu poderá ter abrangido uma área maior do que até agora se julgava.
Até à próxima escavação, que deverá ter lugar em 2027, tanto a equipa da Universidade de Varsóvia como as autoridades peruanas estão a manter em segredo a localização exata da descoberta, para evitar que curiosos ou caçadores de tesouros entrem no sítio arqueológico.
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