O estilo de vida adotado no dia a dia pode ser um dos principais aliados na prevenção de doenças do sangue e de diversos tipos de câncer. O alerta foi feito pela hematologista Dra. Erika Macedo, ao abordar a relação entre hábitos saudáveis e a saúde hematológica.
Segundo a médica, o conceito de lifestyle — ou estilo de vida — vai muito além da estética e está diretamente ligado à prevenção de doenças oncológicas, onco-hematológicas e autoimunes.
“A alimentação, o sono, a atividade física e as escolhas relacionadas ao consumo de álcool e cigarro podem contribuir para uma piora de uma carga genética que a pessoa já tenha ou até favorecer o surgimento de mutações que levam ao desenvolvimento de doenças”, explicou.
Dra. Erika ressaltou que diversas associações internacionais voltadas ao combate ao câncer já possuem diretrizes que apontam a importância da prevenção por meio da mudança de hábitos.
Ela lembrou que as estimativas mundiais indicam um crescimento expressivo da doença nas próximas décadas.
“Estima-se que até 2050 o número de novos casos de câncer possa chegar a 35 milhões por ano. E boa parte desses casos poderia ser reduzida com mudanças no estilo de vida.”
Entre as principais recomendações estão a redução do consumo de alimentos ultraprocessados, embutidos, enlatados e excesso de açúcar, priorizando frutas, verduras, legumes e proteínas mais saudáveis.
A hematologista explicou que uma alimentação adequada melhora o funcionamento do sistema imunológico e reduz processos inflamatórios que favorecem diversas doenças.
“A base de tudo é o que você faz no seu dia a dia. Começando com uma alimentação saudável, você já estará modulando o sistema imunológico. Quando começa a se movimentar, também passa a produzir hormônios que beneficiam esse sistema.”
Ela destacou ainda que apenas uma mudança isolada não é suficiente.
“Não adianta comer saudável e não praticar atividade física. É o conjunto de hábitos que funciona como uma orquestra para fazer o organismo trabalhar da melhor forma.”
Outro ponto enfatizado foi a importância do sono de qualidade.
Segundo a especialista, dormir entre sete e oito horas por noite, preferencialmente iniciando o sono antes das 22h, contribui para o equilíbrio hormonal e reduz o estresse do organismo.
A médica citou estudos recentes apresentados em congresso europeu mostrando que indivíduos expostos ao estresse crônico, sedentarismo e privação de sono desenvolveram doenças com maior rapidez quando comparados aos que mantinham hábitos saudáveis.
“O sono adequado melhora o controle do cortisol, que é o hormônio do estresse. Quando esse equilíbrio é perdido, aumentam os riscos para diversas doenças.”
A obesidade também foi apontada como um importante fator de risco.
Segundo Dra. Erika, o excesso de peso mantém o organismo em um estado inflamatório constante.
“Hoje a obesidade é responsável por mais de 15 tipos de câncer. Muitas vezes não imaginamos o quanto o sobrepeso aumenta o risco de doenças hematológicas, metabólicas e oncológicas.”
A médica explicou que uma alimentação inadequada pode favorecer o surgimento de anemias por deficiência nutricional.
Já a obesidade e o estresse crônico aumentam a probabilidade de tromboses e outras doenças inflamatórias.
“Se eu apenas tomo suplemento para tratar uma anemia, mas não mudo a alimentação, continuo tratando apenas a consequência. O pilar inicial é sempre corrigir os hábitos.”
Entre os sinais que merecem investigação especializada estão:
- cansaço persistente sem causa aparente;
- alterações frequentes no hemograma;
- infecções recorrentes;
- dores ósseas persistentes;
- fraturas espontâneas;
- alterações laboratoriais repetidas.
Além disso, pessoas com histórico familiar de leucemias, linfomas, mieloma múltiplo ou tromboses devem manter acompanhamento preventivo.
“O hematologista trata o sangue como um todo e consegue relacionar alterações sanguíneas com diversas outras doenças.”
A especialista recomenda que adultos realizem exames de rotina regularmente.
Segundo ela, pessoas acima dos 40 anos devem fazer uma avaliação anual, enquanto após os 50 anos esse acompanhamento pode passar a ser semestral, conforme orientação médica.
Entre os exames básicos estão:
- hemograma completo;
- ferro;
- vitamina B12;
- glicemia;
- colesterol.
Ela também alertou para os riscos da automedicação e da interpretação de exames por ferramentas de inteligência artificial.
“A conversa com o médico continua sendo essencial. Cada organismo responde de uma forma diferente, e a interpretação dos exames depende do histórico de cada paciente.”
Dra. Erika resumiu as principais orientações para reduzir o risco de doenças hematológicas:
- alimentação saudável;
- prática de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física;
- controle do peso;
- abandono do cigarro, álcool e outras drogas;
- sono regular e de qualidade.
“Todo dia é uma oportunidade para recomeçar. Se uma pessoa da família muda os hábitos, acaba influenciando todos os outros. Pequenas mudanças geram um efeito positivo para a saúde da família inteira.”
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