Este é o país com maior salário mínimo da América do Sul em 2026

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  • O Uruguai registrou o maior salário mínimo da América do Sul em 2026, com 25.383 pesos (US$ 632 ou R$ 3,2 mil).
  • O valor subiu de 24.572 pesos em janeiro para 25.383 pesos em julho, acumulando alta de 7,54% no ano.
  • O Ministério do Trabalho e Segurança Social do Uruguai confirmou os dois reajustes.
  • No ranking, o Chile ficou em segundo lugar (US$ 590) e o Brasil ocupou a oitava posição, com R$ 1.621.

O Uruguai tem o maior salário mínimo da América do Sul em 2026, considerando o valor nominal estabelecido pelas legislações nacionais e convertido para dólares. Desde julho, o piso nacional uruguaio é de 25.383 pesos uruguaios por mês, valor equivalente a aproximadamente US$ 632 ou R$ 3,2 mil.

O novo valor uruguaio entrou em vigor em 1º de julho de 2026. O governo havia estabelecido dois reajustes para o ano: o salário mínimo passou de 24.572 pesos em janeiro para 25.383 pesos em julho, acumulando alta de 7,54% no ano. O Ministério do Trabalho e Segurança Social do Uruguai confirma os dois valores.

Ranking dos salários mínimos da América do Sul em 2026

A tabela abaixo considera o salário mínimo nacional ou piso geral de cada país. Os valores em dólares e reais são aproximações e podem variar conforme a cotação das moedas. Para a conversão para reais, foi considerada uma cotação próxima de US$ 1 = R$ 5,10 em 6 de agosto de 2026.

Posição País Salário mínimo em 2026 Em dólares Em reais
1 Uruguai UYU 25.383 US$ 632 R$ 3.223
2 Chile CLP 539.000 US$ 590 R$ 3.009
3 Colômbia COP 1.750.905 US$ 533 R$ 2.718
4 Paraguai cerca de PYG 3 milhões cerca de US$ 420 cerca de R$ 2.140
5 Equador US$ 482 US$ 482 R$ 2.458
6 Bolívia BOB 3.300 cerca de US$ 478 cerca de R$ 2.438
7 Peru PEN 1.130 cerca de US$ 330 cerca de R$ 1.683
8 Brasil R$ 1.621 cerca de US$ 318 R$ 1.621
9 Guiana GYD 60.147 cerca de US$ 288 cerca de R$ 1.469
10 Argentina ARS 376.600 cerca de US$ 252 cerca de R$ 1.285
11 Venezuela VES 130 menos de US$ 1 menos de R$ 5

Valores convertidos aproximadamente para 6 de agosto de 2026. A ordem pode variar conforme a cotação utilizada. Alguns países possuem diferentes pisos por categoria profissional, setor ou região.

Uruguai ocupa o primeiro lugar

O salário mínimo uruguaio de 25.383 pesos corresponde a aproximadamente US$ 632, considerando uma cotação próxima de 40,2 pesos uruguaios por dólar. O valor também equivale a cerca de R$ 3,2 mil. A moeda uruguaia estava cotada em torno de 40,2 pesos por dólar em 6 de agosto.

O país aparece à frente do Chile, cujo salário mínimo para trabalhadores adultos chegou a 539 mil pesos chilenos em janeiro de 2026. O valor corresponde a aproximadamente US$ 590 pela cotação de 6 de agosto.

A trajetória recente do salário mínimo brasileiro está diretamente ligada à política de valorização implementada a partir dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva. Antes disso, os reajustes também podiam produzir ganhos reais, mas não havia uma regra permanente que vinculasse o aumento do piso ao crescimento da economia.

O primeiro reajuste do salário mínimo no governo Lula ocorreu em abril de 2003, quando o piso passou de R$ 200 para R$ 240. Segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o aumento real naquele ano foi de 1,23%. Nos anos seguintes, os reajustes foram, em geral, superiores à inflação: o ganho real chegou a 13,04% em 2006 e a 6,02% em 2010. Entre 2003 e 2010, o salário mínimo acumulou 53,67% de aumento real.

A política foi resultado também de uma negociação entre o governo federal e as centrais sindicais. A partir de 2007, passou a ser aplicado o princípio de reajustar o salário mínimo pela inflação mais uma parcela correspondente ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de anos anteriores. Essa fórmula permitiu que o crescimento da economia fosse incorporado ao poder de compra dos trabalhadores.

Em 2011, já no governo Dilma Rousseff, a regra foi transformada em lei. A Lei nº 12.382 estabeleceu que, entre 2012 e 2015, o salário mínimo seria reajustado pela inflação medida pelo INPC mais a variação real do PIB de dois anos antes. A legislação consolidou institucionalmente uma política que havia sido negociada nos anos anteriores.

A regra foi posteriormente prorrogada até 2019. Durante esse período, o salário mínimo continuou acumulando forte valorização acima da inflação. De acordo com o DIEESE, considerando os reajustes entre abril de 2003 e janeiro de 2019, o ganho real acumulado chegou a 78,51%.

Fim da política de valorização

A trajetória mudou a partir de 2019. Entre 2019 e 2022, não houve uma política permanente que garantisse aumento real do salário mínimo. Os reajustes passaram a ter como objetivo principal repor a inflação, e alguns anos registraram inclusive pequena perda real.

Os dados do DIEESE mostram a diferença. Em 2017, o reajuste teve perda real de 0,10%; em 2018, de 0,25%; em 2020, de 0,36%. Em 2021 e 2022, os aumentos ficaram praticamente restritos à reposição da inflação, com ganhos reais de apenas 0,01% e 0,02%, respectivamente.

Em outras palavras, o período de 2019 a 2022 marcou uma interrupção da política de valorização real que havia sido construída na década anterior. O salário mínimo continuou sendo reajustado, mas deixou de contar com uma regra que incorporasse sistematicamente o crescimento da economia ao rendimento dos trabalhadores.

Lula retoma a política de valorização

Com o retorno de Lula à Presidência, a política de valorização foi retomada em 2023. Naquele ano, o salário mínimo passou para R$ 1.320 em maio. Em agosto, o governo sancionou a Lei nº 14.663, que estabeleceu uma política permanente de valorização a partir de 2024.

A nova regra estabelece que o reajuste anual deve combinar a inflação medida pelo INPC com o crescimento real do PIB de dois anos antes. Na prática, quando a economia cresce, uma parte desse crescimento é incorporada ao salário mínimo, garantindo aumento acima da inflação.

O efeito já apareceu no primeiro reajuste integral sob a nova regra. Em janeiro de 2024, o salário mínimo passou para R$ 1.412. Segundo o DIEESE, o aumento representou ganho real de 4,57% em relação ao valor vigente no início de 2023.

A política continuou nos anos seguintes. Em 2025, o piso passou para R$ 1.518 e, em 2026, chegou a R$ 1.621. Segundo o DIEESE, o valor atual representa, em termos reais, aproximadamente o dobro do poder de compra do salário mínimo de R$ 200 vigente em 2002.

A principal diferença entre os períodos está na existência de uma regra institucional de valorização. Nos governos Lula e Dilma, a política passou a vincular o salário mínimo não apenas à inflação, mas também ao desempenho da economia. Entre 2019 e 2022, essa lógica foi interrompida. Em 2023, no terceiro governo Lula, ela foi retomada e transformada novamente em uma política permanente.

Assim, os dados históricos mostram que os principais ciclos recentes de valorização real sistemática do salário mínimo ocorreram nos governos do PT: primeiro com Lula, a partir de 2003, depois com Dilma, que transformou a regra em lei, e novamente com Lula a partir de 2023.


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