Grupos armados expandiram seu domínio para além de Porto Príncipe e continuam impondo o terror sobre comunidades inteiras. A violência tem provocado deslocamentos em massa, destruído moradias e aprofundado uma crise humanitária que atinge milhões de haitianos. Somente nos primeiros meses de 2026, milhares de pessoas já haviam sido vítimas da violência relacionada às gangues.
Vatican News
A violência das gangues voltou a mergulhar o Haiti em luto e desespero. Pelo menos 47 pessoas foram mortas — número que algumas informações locais elevavam para cerca de 49 — durante um ataque armado ocorrido na noite de domingo, 23 de agosto, na região de Kenscoff, nas proximidades de Porto Príncipe. Outras 22 pessoas ficaram feridas, segundo dados das Nações Unidas. Homens armados invadiram a comunidade, mataram moradores e incendiaram casas, em mais um episódio da escalada de violência que atinge o país caribenho.
Kenscoff, uma área montanhosa de importância estratégica por sua localização próxima às rotas de acesso à capital, tem sido repetidamente alvo de grupos criminosos. Desde o início de 2025, a região sofreu diversos ataques, marcados por assassinatos, incêndios, sequestros e outras formas de violência. O novo massacre provocou indignação entre os moradores, que acusam as autoridades de não conseguirem garantir a segurança da população, mesmo em uma área próxima a uma delegacia de polícia.
O ataque evidencia a dimensão de uma crise que há anos destrói as estruturas sociais e institucionais do Haiti. Grupos armados expandiram seu domínio para além de Porto Príncipe e continuam impondo o terror sobre comunidades inteiras. A violência tem provocado deslocamentos em massa, destruído moradias e aprofundado uma crise humanitária que atinge milhões de haitianos. Somente nos primeiros meses de 2026, milhares de pessoas já haviam sido vítimas da violência relacionada às gangues.
Diante da nova tragédia, o governo haitiano prometeu reforçar a segurança e responsabilizar os autores do ataque. No entanto, a população demonstra crescente descrença na capacidade das autoridades e da polícia de conter os grupos armados. A fragilidade das forças de segurança levou a comunidade internacional a apoiar a criação de uma Força de Supressão de Gangues, respaldada pela ONU, que deverá ampliar gradualmente sua presença no país para auxiliar no combate às organizações criminosas.
O massacre em Kenscoff ocorre ainda em um momento decisivo para o futuro político do Haiti, que se prepara para realizar eleições gerais em dezembro, as primeiras em mais de uma década. A continuidade dos ataques, porém, levanta sérias dúvidas sobre a possibilidade de garantir segurança e participação popular em um país onde extensas áreas permanecem sob a influência de grupos armados. As dezenas de mortes registradas neste novo ataque representam, assim, não apenas mais uma tragédia humana, mas também um retrato dramático da urgência de restaurar a segurança, o Estado de direito e a esperança para a população haitiana.
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