“Encontrámos a chave para derrotar os russos”: Fedorov regressa dos EUA com plano para maior fundo de tecnologia de defesa da Ucrânia

“Nos últimos sete ou oito meses, encontrámos a chave para derrotar os russos: como encontrar as suas vulnerabilidades, como atacar e tomar a iniciativa no céu e no terreno.” Foi com esta avaliação que Mykhailo Fedorov regressou a Kiev, depois de uma viagem aos Estados Unidos, onde avançou com novos projetos para a guerra na Ucrânia.

O antigo ministro da Defesa anunciou a criação, em Kiev, de um grande fundo de investimento dedicado à tecnologia de defesa. A iniciativa, segundo o Euromaidan, pretende apoiar tanto novas startups militares como empresas já estabelecidas que tenham capacidade para aumentar a escala dos seus sistemas.

“Publiquei informações sobre a Palantir e conseguimos atrair recursos que nos permitirão criar na Ucrânia, em Kiev, o maior fundo de investimento na área da tecnologia de defesa”, afirmou Fedorov. O projeto deverá beneficiar dos contactos desenvolvidos em torno da empresa tecnológica norte-americana Palantir, cujos clientes incluem a CIA, o FBI, o Pentágono e as Forças Armadas dos EUA.

Entre 2023 e 2024, a Palantir assinou memorandos de entendimento com o Ministério ucraniano da Transformação Digital, o Ministério da Educação e Ciência e o Ministério da Economia. Os produtos da empresa já estão a ser utilizados na Ucrânia em áreas como segurança, educação, reconstrução e desminagem.

Fedorov não revelou, contudo, o nome do fundo, o montante que terá disponível ou a data em que deverá começar a funcionar. Enquanto ministro da Defesa, cargo que deixou em julho, tinha impulsionado a transformação das forças ucranianas através da aposta em drones, robótica e dados.

O segundo projeto apresentado por Fedorov passa pela criação de um centro de análise dedicado a estudar a evolução da guerra e a antecipar os próximos movimentos de Moscovo. A intenção é identificar vulnerabilidades russas e preparar respostas antes de os acontecimentos obrigarem a Ucrânia a reagir.

Fedorov defende precisamente uma mudança de abordagem: em vez de responder apenas aos movimentos da Rússia, a Ucrânia deve tentar prever como o conflito irá evoluir e preparar antecipadamente as soluções para cada cenário.

As revelações acontecem num momento em que Mykhailo Fedorov se tem tornado numa figura central na Ucrânia. Depois de ter sido demitido do governo por Volodymyr Zelensky, decisão que motivou várias ondas de protesto no país, o antigo ministro da Defesa apelou, em agosto, à realização de eleições durante a guerra, defendendo que o país precisa de recuperar mecanismos democráticos de escolha dos seus governantes.


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