Edição 1290

Destaque de manchete na edição desta semana para a reportagem sobre os jovens NEET e o impacto que estes têm na vida familiar quando abandonam a vida escolar e não se integram no mercado de trabalho.

Em Cabo Verde, cerca de 26% dos jovens encontravam-se em situação de NEET em 2023, ou seja, não estudavam, não trabalhavam nem estavam em formação. Dentro de casa, isto significa dependência financeira, stress, decepção e conflitos.

Destaque, também, para a entrevista com Natasha Craveiro, produtora e realizadora de cinema que acaba de regressar da Suíça, onde participou no disputado Open Doors, programa do Festival de Locarno que apoia, financia e forma cineastas de países com infra-estruturas cinematográficas mais frágeis.

Essa passagem por um dos grandes palcos do cinema independente internacional é o ponto de partida para uma conversa sobre identidade, criação e o lugar de Cabo Verde no cinema mundial. “É possível dialogar com o mundo e conquistar os maiores palcos do cinema sem perder a nossa raiz”, defende. O seu percurso lá fora comprova aquilo a que chama a maturidade dos criadores cabo-verdianos. Para a realizadora e produtora, o desafio está agora em criar, dentro do país, condições para que esse percurso se consolide e se traduza numa verdadeira indústria: “o que falta é um ecossistema estatal que deixe de ser reactivo e passe a agir como parceiro estratégico”, aponta.

Na capa desta semana damos igualmente destaque ao pronunciamento do Conselho de Finanças Públicas sobre o Orçamento do Estado de 2026 e que tinha sido aprovado pelo anterior governo.

Refere o CFP que o OE26 foi reprogramado no primeiro trimestre, passando de 95.675 milhões para 102.678 milhões de escudos, um aumento líquido de 7.003 milhões de escudos, sobretudo devido ao aumento dos recursos externos. No entanto, diz o CFP, a inscrição de empréstimos no orçamento não significa necessariamente nova dívida, uma vez que parte corresponde à mobilização de empréstimos previamente contratados.

Ainda em destaque está o relatório de Supervisão Comportamental do Banco de Cabo Verde que destaca que foram apresentadas 278 reclamações ao Banco Central, que 3,15 milhões de escudos foram devolvidos aos consumidores e 25 medidas de correcção adoptadas ao longo do ano.

Além disso o documento destaca igualmente que a fraude bancária disparou 150% em relação ao ano passado e lidera preocupações no sistema financeiro.

Outro destaque de capa vai para a subida recente das tarifas das hiaces em Santiago.

O aumento das tarifas praticadas pelos condutores de hiaces nas ligações interurbanas da ilha de Santiago desencadeou uma nova polémica entre transportadores, passageiros e autoridades, ao mesmo tempo que trouxe para o centro do debate uma questão antiga: afinal, quem tem competência para regular os preços cobrados por este serviço de transporte?

As migrações fazem outro dos destaques da edição desta semana.

O relatório “Visão Global das Rotas Migratórias”, divulgado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) na semana passada, mostra que a Rota Atlântica da África Ocidental, usada por migrantes que tentam chegar às Canárias a partir da costa africana, está a deslocar-se para Sul, tornando as travessias mais longas e perigosas. Com esta deslocação, aumentam também os riscos de embarcações perderem o rumo e “derivarem em direcção a Cabo Verde”.

Na opinião, esta semana, há para ler ‘Pedido de fiscalização de constitucionalidade feito a desoras e falho nos seus pressupostos’ escrito por Olavo Freire e ‘As Contas Públicas do II Trimestre e a verdadeira dimensão da “herança”’ da autoria de Gilson Pina.

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