Ducati investe 121 milhões de euros para “subir a fasquia”: tecnologia e novas motos no centro da estratégia

A Ducati vai investir 121 milhões de euros em investigação, desenvolvimento e inovação, numa importante aposta destinada a reforçar a competitividade tecnológica da marca italiana nos próximos anos. O projeto assume especial relevância num momento de transformação da indústria europeia de motociclos e demonstra a intenção de Borgo Panigale de continuar a fazer da tecnologia um dos pilares fundamentais da sua estratégia.

O investimento foi anunciado esta semana e cerca de 25% do valor deverá ser financiado pelo Governo italiano.

Não estamos, portanto, perante uma simples modernização de instalações. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias que possam ser transferidas para futuras gerações de motos Ducati, reforçando simultaneamente a capacidade de investigação e engenharia da empresa.

121 milhões para preparar a Ducati do futuro

O projeto é particularmente interessante porque surge num período em que os fabricantes europeus enfrentam desafios simultâneos: regulamentação ambiental cada vez mais exigente, necessidade de controlar custos, transformação tecnológica e uma concorrência internacional crescente.

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A resposta da Ducati passa por continuar a investir. Os 121 milhões de euros serão direcionados para investigação, desenvolvimento e inovação, mantendo uma filosofia que tem sido particularmente visível nos últimos anos: aproximar cada vez mais o trabalho realizado em competição daquele aplicado às motos de produção.

Essa transferência tecnológica é hoje facilmente identificável em modelos como a Panigale V4, mas também noutras famílias da marca.

Motores cada vez mais sofisticados, eletrónica baseada em unidades de medição inercial, aerodinâmica, materiais leves, aquisição e análise de dados ou sistemas de assistência à condução são apenas alguns exemplos de áreas em que a evolução das motos modernas depende de investimentos elevados em engenharia.

Tecnologia como argumento para justificar uma Ducati

Há também uma questão estratégica importante. A Ducati posiciona-se claramente no segmento premium e, nesse contexto, a tecnologia tornou-se tão importante para a diferenciação da marca como o design, a performance ou a própria herança italiana.

É uma estratégia particularmente evidente nas últimas gerações da Panigale.

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Na atual Panigale V4, por exemplo, o desenvolvimento foi realizado com uma forte contribuição da Ducati Corse, aproveitando conhecimentos adquiridos na competição. A própria marca tem assumido essa ligação entre as motos de corrida e os modelos disponíveis nos concessionários como um dos elementos fundamentais da evolução dos seus produtos.

E a mais extrema Panigale V4 R leva essa filosofia ainda mais longe, funcionando praticamente como a ponte tecnológica entre uma superbike de estrada e a máquina utilizada no Mundial de Superbike.

Competição continua a ser o grande laboratório

MotoGP e WorldSBK desempenham, por isso, um papel que vai muito além do marketing. A competição permite desenvolver e validar soluções em condições extremas antes de parte desse conhecimento chegar às motos de produção.

A Ducati tem explorado intensamente esta relação nos últimos anos, particularmente em áreas como aerodinâmica, eletrónica, dinâmica da moto e desenvolvimento de motores.

É precisamente esta capacidade de transformar conhecimento adquirido nas pistas em tecnologia utilizável na estrada que ajuda a explicar a dimensão do novo investimento.

Mas o plano deverá igualmente permitir desenvolver soluções que não estejam necessariamente ligadas à procura da volta mais rápida. Eficiência, processos industriais, digitalização e novas tecnologias serão igualmente determinantes para a competitividade futura de um fabricante europeu.

Governo italiano suporta cerca de um quarto do investimento

Outro dado relevante é a participação pública no projeto.

Segundo a informação disponível, aproximadamente 25% dos 121 milhões de euros serão financiados pelo Governo italiano.

Isto significa um apoio próximo dos 30 milhões de euros, ficando a restante fatia do investimento a cargo da Ducati.

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O envolvimento do Estado italiano mostra também a importância estratégica atribuída à manutenção de competências tecnológicas e industriais no país.

A Ducati continua profundamente ligada a Borgo Panigale, em Bolonha, e o desenvolvimento tecnológico da marca envolve uma cadeia de engenharia, fornecedores e conhecimento especializado que ultrapassa as fronteiras da própria fábrica.

Um investimento importante num momento particularmente sensível

Os 121 milhões ganham ainda maior dimensão quando analisados no atual contexto da indústria das duas rodas.

O mercado europeu atravessa uma fase exigente, enquanto os fabricantes chineses aumentam rapidamente a sua presença internacional, apresentando motos cada vez mais sofisticadas e, frequentemente, com preços extremamente competitivos.

Para fabricantes europeus premium como a Ducati, competir exclusivamente através do preço dificilmente seria uma estratégia sustentável.

A alternativa passa precisamente por aumentar a diferenciação tecnológica e o valor percebido do produto.

Além do mais a Ducati tem sido alvo de muita especulação de uma eventual venda, por força do momento financeiro complicado que o Grupo Volkswagen atravessa, com uma eventual proposta do grupo financeiro Patritalia, no valor de 2,5 mil milhões de euros, apresentada para a compra da Ducati. O Grupo VW não confirma, assim como não dá qualquer indicação de pretender vender a Ducati, uma das marcas do seu portfólio que lhe dá lucro.

É também por isso que este investimento pode ser particularmente importante.

O que significa para as próximas Ducati?

Não foi anunciada uma lista concreta de modelos que resultarão diretamente deste programa, pelo que seria prematuro associar os 121 milhões de euros a uma determinada futura Panigale, Multistrada ou Monster.

Mas uma coisa parece clara: Borgo Panigale não pretende reduzir a intensidade do desenvolvimento tecnológico das suas motos.

Pelo contrário. Num momento em que a indústria discute custos, eletrificação, novas regulamentações e a crescente pressão dos fabricantes asiáticos, a Ducati responde colocando mais dinheiro em investigação e desenvolvimento.

São 121 milhões de euros para preparar aquilo que vamos conduzir nos próximos anos.

E numa marca em que soluções experimentadas numa Desmosedici de MotoGP ou numa Panigale de competição frequentemente acabam, mais cedo ou mais tarde, numa moto com matrícula, este é um investimento cujo resultado os Ducatistas poderão acabar por sentir diretamente no punho direito.

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