Durante 40 dias, eles trabalharam na Venezuela, resgatando sobreviventes dos escombros e, posteriormente, recuperando corpos em La Guaira, a região costeira que foi o epicentro da morte e da destruição provocadas por terremotos consecutivos.
Após um terremoto atingir a vizinha Colômbia na segunda-feira, 10, eles embarcaram em um voo noturno. Na manhã de quarta-feira, 12, já estavam em prédios desabados em Cali, a terceira maior cidade da Colômbia, tentando resgatar sobreviventes.

Um membro da equipe de resgate voluntária Topos Azteca trabalhando entre os escombros na quarta-feira, em Cali, na Colômbia
Foto: Federico Rios/The New York Times
“Quando chegamos a La Guaira, estávamos focados apenas na recuperação de corpos”, disse Alex Rodríguez, de 36 anos, que estava na Venezuela. “E agora estamos aqui no local, lutando contra o tempo para encontrar sinais de vida.”
Os socorristas eram da Topos Azteca, uma equipe mexicana de busca e resgate voluntária que se tornou uma das mais conhecidas em resposta a desastres na América Latina e em outros continentes. Seus membros já atuaram em terremotos, enchentes, furacões, deslizamentos de terra e outros desastres ao redor do mundo, chegando até a Turquia, Ucrânia e Estados Unidos após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.
Os moradores de Cali reconheceram os voluntários de uniforme laranja quase imediatamente, agradecendo ao fundador e presidente do grupo, Héctor Méndez, de 80 anos, e tirando fotos em meio aos escombros enquanto ele coordenava o resgate. A prefeitura o apresentou em um vídeo.
A reação refletiu uma reputação construída ao longo de quatro décadas. As origens do grupo remontam ao enorme terremoto que atingiu a Cidade do México em 1985 e matou até 10.000 pessoas. Mendez, o fundador, lembrou-se de ter ido procurar seu irmão após o desastre, mas, ao encontrá-lo ileso, decidiu ajudar em um prédio de apartamentos que havia desabado.

Héctor Méndez, fundador do grupo, conta que percebeu, durante um devastador terremoto ocorrido no México em 1985, que o trabalho de resgate era a missão de sua vida
Foto: Federico Rios/The New York Times
Ele passou cerca de 10 horas ajudando no resgate de uma mulher e sua sobrinha. Saiu exausto, com os joelhos machucados, um braço dolorido e os dedos cansados por ter trabalhado sem luvas ou equipamentos adequados.
Ele descreveu a experiência como uma epifania: percebeu que o trabalho de resgate era a missão de sua vida.
Desde então, a Topos Azteca expandiu suas atividades para além do México. O grupo começou a atuar internacionalmente durante o terremoto de 1986 em El Salvador, onde equipes de resgate mexicanas treinaram voluntários locais. Posteriormente, desenvolveu brigadas afiliadas em outros países, incluindo El Salvador, Guatemala, Brasil, Panamá e Venezuela.
Alguns membros são treinados como bombeiros e paramédicos. Outros têm empregos comuns que não têm nada a ver com resposta a desastres. Todos são voluntários, muitos arcando com suas próprias despesas. O grupo tem entre 250 e 300 pessoas baseadas no México e já enviou uma equipe de cerca de 20 para a Colômbia.
Miguel García, de 25 anos, juntou-se à Topos Aztecas por influência de seu pai, um socorrista veterano que lhe ensinou primeiros socorros e técnicas de combate a incêndios quando criança. Atualmente, ele administra um negócio de medicina tradicional chinesa com sua esposa e descreve o trabalho de resgate como um hobby.
“Temos pessoas de todos os tipos, desde o motorista de ônibus local na esquina até alguém vendendo sanduíches no metrô”, disse ele.
Outra integrante, Juanita Dueñez, de 49 anos, é bombeira no México há 20 anos. Ela teve seu primeiro contato com o grupo de resgate voluntário quando uma amiga a convidou para um dos cursos de treinamento. Ela continuou participando de outros cursos até se tornar membro oficialmente.
Dueñez disse que o que a atraiu foi a filosofia do grupo: que as distinções de raça, nacionalidade, gênero, religião ou política desaparecem diante da obrigação de ajudar outra pessoa.
O treinamento em si é intensivo — cursos de três dias que abrangem primeiros socorros, técnicas de corda, arrasto e resgate, estabilização estrutural e simulações de desastres. Geralmente, os socorristas precisam participar de vários desastres em seu próprio país antes de serem enviados para o exterior.
Méndez afirmou que isso ocorre porque não existe nenhum exercício de treinamento capaz de reproduzir a experiência real de resposta a desastres.
“Em nenhum país vão trazer alguém cujo filho morreu para que você possa abraçá-lo e sentir sua dor. Isso não existe”, disse ele. “Você precisa vivenciar isso para ser um verdadeiro voluntário, um socorrista de coração.”
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Rodríguez, o membro venezuelano, chegou ao Topos Azteca por meio de uma tragédia. Quando terremotos consecutivos devastaram La Guaira, onde sua avó morava, ele viajou de Caracas para procurá-la. O prédio onde ela morava havia desabado, mas ela sobreviveu porque não estava em casa no momento.
Mas em um dos primeiros prédios destruídos que encontrou, os socorristas da Topos Azteca procuravam por duas crianças que talvez ainda estivessem vivas. Ele ficou para ajudar.
Escalador profissional e acrobata aéreo de circo, ele usou seu conhecimento de cordas e sistemas de içamento para ajudar a mover placas de concreto pesando várias toneladas. Rapidamente aprendeu a operar câmeras térmicas e equipamentos de som.
“Os Topos viram minhas habilidades, minha resistência, meu controle emocional”, disse Rodríguez. “E eu senti uma conexão com eles. O laço fraternal era uma verdadeira irmandade.”
Então, esta semana ele estava prestando assistência na Colômbia, onde o terremoto na região oeste do país matou mais de 270 pessoas, segundo o governo colombiano.
García descreveu o grupo como uma fraternidade de socorristas que se encontram repetidamente em resposta a desastres.
A cada missão, eles tentam aumentar o número de voluntários. Após missões internacionais, procuram identificar voluntários locais que demonstraram aptidão e treiná-los para que o país esteja mais bem preparado para o próximo desastre, disse García.
“Essa incerteza de saber se você vai conseguir sair ileso de uma estrutura que desabou cria um laço fraternal entre as pessoas com quem trabalhamos em nossa equipe”, disse ele. “Temos uma vocação para servir.”
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