A natureza sempre traz surpresas. Desta vez, uma nova espécie de lagarto foi descoberta nas terras altas de Puno, no Peru. É a Liolaemus yawar, do grupo Liolaemus montanus, registrada no distrito de Putina, na província de San Antonio de Putina, a mais de 4.100 metros acima do nível do mar.
O nome yawar, que significa “sangue” em quéchua, alude à intensa coloração vermelho-sangue dos machos adultos, uma das características mais distintivas dessa espécie. A denominação também reconhece o valor cultural e linguístico do quíchua nos Andes, a região onde essa nova espécie vive.
Para identificá-la como uma nova espécie, os pesquisadores analisaram características morfológicas e evidências moleculares e filogenéticas. Liolaemus yawar pode atingir até 91,6 milímetros de comprimento e possui uma combinação particular de características que a distingue de outras espécies relacionadas, incluindo seu tamanho corporal, padrão de coloração e características das escamas.
A espécie é endêmica de Puno e do Peru, já que só foi registrada, até agora, em uma localidade entre San Antonio de Putina e Mina Rinconada.
Até onde se sabe, vive em ambientes de puna e pastagens alto-andinas, onde se move entre rochas e usa tocas como refúgio. Os pesquisadores alertam que pouco ainda se sabe sobre sua história natural e que explorações adicionais podem expandir a área conhecida da espécie.
O estudo foi conduzido por uma equipe internacional de cientistas de Argentina, Bolívia, Chile e Peru, incluindo Cristian S. Abdala, Alejandro Laspiur, Álvaro J. Aguilar-Kirigin, Roberto C. Gutiérrez Poblete, Romina V. Semhan, Marcos M. Paz, Sebastián A. Quinteros, José A. Cerdeña, Ling D. Huamaní-Valderrama, Pablo Valladares-Faúndez, Damien Esquerré e Juan C. Chaparro.
A pesquisa foi publicada em 26 de agosto deste ano na revista científica Acta Zoológica Lilloana.
Esse conhecimento também é fundamental para o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (Sernanp, na sigla em espanhol), uma agência vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (Minam), pois esses achados confirmam que a biodiversidade do Peru ainda possui espécies e conhecimentos a serem descobertos, mesmo fora das áreas naturais protegidas.
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