Segunda noite do Baía das Gatas celebra música nacional “num palco simbólico” de Cabo Verde

A segunda noite da 42.ª edição do Festival Baía das Gatas foi inteiramente dedicada a artistas cabo-verdianos, num palco que, há décadas, representa um dos principais símbolos da música e da cultura de São Vicente e de Cabo Verde. 

O palco do Baía das Gatas voltou a assumir, na sexta-feira, 7 de agosto, o seu papel de lugar de memória e afirmação da música cabo-verdiana. A segunda noite do festival começou por volta das 22h00 e reuniu exclusivamente artistas nacionais, numa programação que atravessou diferentes gerações e géneros da música nacionais.

A noite começou com prata da casa, o Encontro de Vozes, que reuniu Tito Paris, Ceuzany, Diva Barros e Elly Paris, e uma homenagem a José Leite, antigo apresentador do festival, e ao músico Bius, ambos já falecidos. A banda local fez ainda referência ao Zeca Nha Reinalda, que continua ligado à música.

Tito Paris abriu o espetáculo com temas como Mar Azul e Nha Pretinha. Perante um público ainda tímido junto ao palco, o músico foi conquistando os presentes, arrancando aplausos e promovendo a interação com a assistência.

Depois foi a vez de Ceuzany, que apresentou No Txa Tê Li, tema do seu novo álbum. A cantora prestou também homenagem a Jorge Neto, interpretando Sem Ninguém, cujo videoclipe foi lançado esta semana. Carnaval e Mandingas também fizeram parte do alinhamento.

Um palco carregado de memória

Diva Barros subiu depois ao palco e interpretou vários temas do álbum Um Bem Dum Cavaquim, lançado em 2021, numa homenagem à ilha do Monte Cara. A artista incluiu ainda no alinhamento Mi É Dod Na Bo.

Após a atuação, Diva Barros falou sobre o significado do Baía das Gatas e da energia particular daquele palco, associando o festival à história musical de São Vicente.

“É um palco grande, antigo e que tem uma energia própria, também porque o palco de Baía talvez seja o palco que já movimentou mais artistas.”

A artista recordou ainda a importância do festival na formação musical da ilha e à abertura a diferentes géneros, como jazz, rock e R&B, mas também o seu contributo para a economia local. Para Diva Barros, regressar ao palco é também reencontrar uma parte da história cultural de São Vicente.

O simbolismo do palco foi igualmente destacado por Elly Paris, que se estreou no Baía das Gatas. A mais jovem voz do Encontro de Vozes apresentou temas como Xpia B’oia e Ninguém Ta Manda Na Mim, além de ritmos ligados ao Carnaval.

Para a artista, pisar aquele palco representa a concretização de um sonho e uma confirmação do percurso feito enquanto cantora cabo-verdiana.

“Todo o artista que pisa no Baía das Gatas é um realizar de um sonho. (…) É também uma confirmação de que o artista trabalhou e merece estar num palco, que é o maior de Cabo Verde, dos maiores de África.”

Da memória à nova geração

Depois do Encontro de Vozes, o Cabo Verde Show, acompanhado por uma banda, levou ao palco Manu Lima e Boy Gê Mendes, que revisitaram sucessos antigos e conseguiram atrair mais público para junto do palco, ao ritmo do coladance. No final a mítica banda foi homenageada pela Câmara municipal de São Vicente.

A noite prosseguiu com Dieg, artista natural de São Vicente, que atuou em casa e contou com a presença da família, incluindo os dois filhos e a companheira, a também artista Fattú Djakité.

O músico interpretou temas como Domani, Nununu e Valoriza, este último associado ao período do projeto Azágua, e prestou também homenagem a Jorge Neto.

 

Para Dieg, atuar no Baía das Gatas representa a concretização de um sonho que foi projetaco há 20 anos e levou toda uma caminhada.

A presença dos filhos teve igualmente um significado especial para o artista, que vê na arte uma oportunidade de transmitir valores através de uma paternidade presente e de poder educar os filhos através da arte.

Ferro Gaita fecha noite ao ritmo do funaná

A última atuação da noite ficou a cargo dos Ferro Gaita. Devido a problemas de transporte, a banda chegou mais tarde e teve de preparar o alinhamento já próximo da hora do espetáculo.

Vestidos a rigor, os músicos prestaram homenagem aos Tubarões Azuis, num momento em que o público já estava mais animado e se entregou aos ritmos do funaná.

Além dos temas que fazem parte do repertório da banda, os Ferro Gaita interpretaram ainda Trabessadu, tema popularizado por Neuza e Michel Montrond.

A noite terminou perto das 5h00 da madrugada, depois de uma programação que colocou no centro do palco diferentes gerações da música cabo-verdiana.

De referir que alguns jornalista acabaram por abandor o espaço de imprensa no backstage do festival em protesto contra a falta de condições de trabalho, nomeadamente a ausência de mesas e cadeiras e o calor no local.

A 42.ª edição do Festival Baía das Gatas decorre de 6 a 9 de agosto, em São Vicente. Depois de Léo Santana na quinta-feira e da programação desta sexta-feira, o festival prossegue este sábado, 8 de agosto, a partir das 21h30, com o Carnaval de Mindelo, que reúne Edson Oliveira, Gai Dias, Anísio Rodrigues e Constantino Cardoso. Seguem-se Hélio Batalha, Garry e o cantor marfinense Tiken Jah Fakoly.

O encerramento acontece no domingo, 9 de agosto, a partir das 18h30, com atuações de Black Side, Lisandro Cuxi e MC Cabelinho.

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