Reciclagem de embalagens quase não cresce em Portugal e plástico recua no primeiro semestre de 2026

A recolha seletiva de resíduos de embalagens em Portugal registou um crescimento de apenas 0,9% no primeiro semestre de 2026, evidenciando uma praticamente estagnação face ao mesmo período do ano passado. Os dados oficiais do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), adiantados pela Novo Verde, revelam que foram encaminhadas para reciclagem 233.065 toneladas de embalagens, um resultado que levanta preocupações numa altura em que o país continua sob pressão para cumprir os objetivos europeus de reciclagem.

Os números mostram uma evolução desigual entre os diferentes materiais. O papel e cartão foi um dos poucos fluxos a apresentar um desempenho positivo, com 82.255 toneladas recolhidas, o que representa um crescimento de 4,8%. A madeira também registou uma evolução favorável, aumentando 13,5% para 1.650 toneladas.

Em sentido contrário, o plástico foi o material que apresentou a maior quebra, com uma redução de 6,6%, correspondendo a menos 2.814 toneladas recolhidas do que no primeiro semestre de 2025. No total, foram recolhidas 40.031 toneladas deste material. Também o aço recuou 3,3%, para 3.690 toneladas, enquanto as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) diminuíram 1,2%, fixando-se nas 3.997 toneladas.

O vidro continua a ser o material com maior volume de recolha seletiva, atingindo 100.343 toneladas, mas o crescimento foi bastante modesto, de apenas 1%, um resultado que também fica aquém do desejável para cumprir as metas nacionais.

Pressão para cumprir objetivos europeus

Estes resultados surgem num contexto particularmente exigente para Portugal, que enfrenta um processo de infração instaurado pela Comissão Europeia devido ao incumprimento de anteriores metas de reciclagem. A quebra registada no plástico e o crescimento limitado do vidro são apontados como fatores que dificultam o cumprimento dos objetivos definidos.

Para Pedro Simões, diretor-geral da Novo Verde, os dados constituem um sinal de alerta: “Não podemos ignorar estes números. Estamos perante um sinal claro de que o país precisa de acelerar o passo. Atingir as metas não é uma opção, é um dever coletivo, e estes dados mostram que ainda há muito caminho por fazer.”

O responsável considera que será necessário reforçar a sensibilização da população, melhorar as condições de participação dos cidadãos e investir em soluções que permitam aumentar a quantidade de embalagens encaminhadas para reciclagem.

Mais investimento em sensibilização e inovação

Perante este cenário, a Novo Verde afirma que continuará a apostar em iniciativas de educação ambiental e em projetos destinados a aumentar a eficiência da recolha seletiva. Entre eles destacam-se o programa Geração Verdão, dirigido às escolas, o centro de sensibilização Transformarium, bem como projetos técnicos como o Estudo do Contentor Amarelo e o Observatório de Reciclagem dos Plásticos.

A entidade gestora defende ainda que será essencial reforçar os investimentos nos Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU), dotando-os de novas tecnologias e mecanismos capazes de aumentar a captação de resíduos de embalagens.

Segundo a Novo Verde, aproximar a reciclagem do dia a dia dos portugueses, tornando-a mais simples, acessível e compreendida, será determinante para inverter a tendência revelada pelos dados do primeiro semestre e colocar o país numa trajetória compatível com as metas ambientais europeias.

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